Fracasso na injeção letal: como o caso de um homem fez o estado adotar o fuzilamento como método principal para condenados à morte
- 01/10/2026 11:08
- Redação
O método mais popular de aplicação da pena capital nos Estados Unidos é a injeção letal, geralmente consistindo na inserção de um coquetel com barbitúricos, sedativos e bloqueadores neuromusculares em veias do braço, pescoço ou peito.
Mas em julho, o governo estadual de Idaho fez do pelotão de fuzilamento o principal método de execução de seus prisioneiros condenados à morte. Outros seis estados americanos incluem o “paredão” como procedimento possível — não houve momento na história do país em que mais jurisdições permitiram esse método.
A escolha deste como primeira opção para execuções ocorreu após falha na aplicação da pena de Thomas Creech, cujas veias não permitiram a instalação de um acesso intravenoso para injeção letal.
Idaho tem, em setembro de 2026, sete homens e uma mulher no corredor da morte, de acordo com o Death Penalty Information Center.
O procedimento é similar em Idaho, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul, Utah, Flórida e Tennessee.
O condenado é amarrado a uma cadeira, e um capuz escuro é colocado sobre sua cabeça. Ele não tem acesso à identidade dos atiradores: três voluntários de mira treinada selecionados pelas autoridades policiais e carcerárias.
Um alvo é pendurado acima do ventrículo esquerdo do coração, responsável por bombear sangue para o cérebro. A intenção é proporcionar a maior rapidez possível para a perda de consciência e morte.
Mas o processo nem sempre é rápido. Em 2010, a execução demorada de Ronnie Lee Gardner em Utah criou polêmica em torno da efetividade do método e da competência dos atiradores selecionados.
O homem, condenado por homicídio, permaneceu consciente e móvel durante vários minutos após receber tiros de seis oficiais. Na autópsia, os locais de entrada e saída das balas estavam distantes do coração, desviados para a esquerda.
Em 2025, uma execução na Carolina do Sul também levou mais tempo do que o previsto. Segundo uma testemunha da imprensa vinculada à Associated Press, o prisioneiro Mikal Mahdi continuou respirando e emitindo exclamações de dor por mais de um minuto após receber tiros de três carrascos.
O caso precisou ser revisto pela Suprema Corte do estado após acusações da Defensoria Pública de que os atiradores erraram o alvo intencionalmente, para prolongar o sofrimento de Mahdi, que havia sido condenado pelo homicídio de um policial à paisana,
A corte avaliou, no entanto, que o processo havia sido concluído com sucesso, apesar dos erros de mira.