Conflito armado na Etiópia atinge maior escalada em quatro anos
- 01/10/2026 08:03
- Redação
Explosões foram ouvidas durante a madrugada de quinta-feira (1) em Adis Abeba, capital da Etiópia, segundo três fontes diplomáticas, aumentando a preocupação com a possível expansão do conflito que voltou a atingir o norte do país.
Uma fonte ligada à aliança de oposição que combate as forças do governo no norte da Etiópia desde a semana passada afirmou que o grupo realizou vários ataques com drones em Adis Abeba, incluindo contra instalações militares. A Reuters não conseguiu verificar a alegação de forma independente, e testemunhas disseram não ter visto danos nas proximidades da base militar.
Caso seja confirmado, este seria o primeiro ataque conhecido com drones realizado por forças antigovernamentais contra a capital etíope, localizada a centenas de quilômetros das linhas de frente nas regiões de Tigré, Amhara e Afar.
Os porta-vozes do gabinete do primeiro-ministro Abiy Ahmed, do governo federal e das Forças de Defesa Nacional da Etiópia não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Na quarta-feira, o serviço nacional de inteligência anunciou a proibição de voos de drones sobre Adis Abeba e áreas próximas por motivos de segurança. As forças de oposição não eram conhecidas anteriormente por utilizar drones armados, mas há indícios crescentes de que podem ter essa capacidade.
Na terça-feira, uma milícia pró-governo afirmou ter apreendido estruturas e baterias de drones de forças ligadas à Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF), um dos principais integrantes da aliança de oposição. A Reuters também não conseguiu verificar essa informação de forma independente.
Equipamentos de guerra na Etiópia • REUTERSOs confrontos da última semana representam a maior escalada de violência na Etiópia desde o fim da guerra civil de 2020 a 2022. O conflito atual rompeu um acordo de paz firmado há quatro anos entre a TPLF e o governo federal.
Desta vez, a TPLF formou uma aliança com outros seis grupos armados que têm como objetivo derrubar o governo de Abiy. As forças federais avançam pelo sul do Tigré, aproximando-se da capital regional, Mekelle, enquanto a aliança de oposição tomou cidades na vizinha região de Afar.
Os combates em Afar obrigaram dezenas de milhares de pessoas a deixar suas casas, segundo Valerie Browning, fundadora da Associação de Desenvolvimento Pastoral de Afar. Um funcionário do governo regional afirmou à Reuters que forças federais e regionais retomaram as cidades de Erebti e Abaala, próximas à fronteira com o Tigré. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente os relatos sobre os combates.
O conflito também aumenta os temores de desestabilização no Chifre da África, região que já enfrenta a guerra civil no Sudão, tensões entre a Etiópia e a vizinha Eritreia pelo acesso ao Mar Vermelho e os efeitos de conflitos no Oriente Médio.
O governo etíope acusa Eritreia, Sudão e Egito de apoiar a aliança de oposição. Os três países negam as acusações.
O administrador-chefe de Afar, Haji Awol Arba, afirmou nesta semana à Al Jazeera que soldados eritreus haviam entrado em Afar para se juntar à ofensiva da aliança. O ministro da Informação da Eritreia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Na guerra civil anterior, a Eritreia lutou ao lado do governo federal etíope contra a TPLF. As relações entre os antigos rivais se deterioraram depois do conflito, enquanto Asmara passou a ver as repetidas declarações de Abiy de que a Etiópia tem direito a acesso ao mar como uma ameaça implícita.
Abiy afirma que a Etiópia pretende obter acesso ao mar por meios pacíficos.
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