Flávio treina para responder a polêmicas e se mostrar propositivo em debate
- 01/10/2026 03:15
- Redação
O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), se prepara para responder a polêmicas no debate presidencial da TV Globo, no Rio de Janeiro, que acontece nesta quinta-feira (1º) à noite. Ele também pretende se mostrar como um candidato com propostas sólidas e de perfil moderado, de olho nos eleitores de centro e indecisos.
A perspectiva é de que Flávio participe do debate ao lado de Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). A assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já avisou a emissora que ele não vai comparecer.
Mesmo sem a presença de Lula e embora os demais adversários sejam de direita, há uma expectativa de que Flávio seja questionado sobre alguns pontos incômodos para a campanha do senador.
Por exemplo, sua relação com o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, o pedido de patrocínio para o filme Dark Horse — que é inspirado na trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — e outras mais antigas, como suspeitas sobre rachadinhas no gabinete no Rio de Janeiro.
O treinamento para responder a esses assuntos acabou virando uma constante ao longo da campanha, mas foi repassado nestes últimos dias. A intenção é mostrar que ele não tem nada a esconder e que poderá explicar qualquer questionamento. Para a campanha, transmitir confiança e segurança será fundamental.
Um dos objetivos de Flávio no debate é esclarecer de vez que nunca teve a pretensão de retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, o que pode impactar nos votos recebidos de católicos e evangélicos, para mais ou menos. A campanha já entrou no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com pedido de uma série de medidas para combater a fake news.
Outro objetivo de Flávio será convencer o eleitor de que é um candidato com um programa de governo robusto. A avaliação é de que a apresentação de propostas dependerá muito do ritmo do debate e do comportamento dos adversários. No entanto, a ideia é reforçar propostas na segurança pública — uma das áreas que mais preocupam o eleitorado — e na economia.
Ele deve se mostrar propositivo, mas também bater na tecla, por exemplo, de que medidas da gestão petista têm gerado insegurança jurídica e social, que prejudicam o país, ao ver da campanha, numa situação que chamam de “desespero eleitoreiro” do mandatário atual. Para tanto, Flávio tem já comparado Lula a uma “biruta de aeroporto”, que varia conforme a direção do vento.
Assim como já faz em discursos, Flávio deve ressaltar o aumento do preço dos alimentos, do custo de vida e do endividamento dos brasileiros, que ele enxerga como consequência da política fiscal do governo Lula. Para a campanha, são aspectos do dia a dia que afetam o bolso da população que convencem as pessoas a votarem nele.
O presidenciável do PL ainda deve buscar fazer acenos à proteção de mulheres e crianças — até para ajudar a transmitir uma mensagem de mais moderado e familiar.
A expectativa da campanha de Flávio é de que o debate será mais tranquilo com a ausência de Lula. Ainda assim, Flávio deve investir no pedido de voto útil perante os demais concorrentes presentes. Ou seja, pedir para os eleitores que votam em algum outro nome da direita que votem logo nele no primeiro turno.
Nos bastidores, auxiliares afirmam que é preciso respeitar todas as candidaturas, porém, sem deixar passar o apelo pelo voto útil, que pode fazer a diferença no resultado do primeiro turno, avaliam.
A estratégia anterior de Flávio era só comparecer ao debate se Lula também fosse. No entanto, esse posicionamento mudou diante das fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida e diante de uma eleição tão apertada.
Flávio passou esta quarta (30) em reuniões internas e gravações na sede de sua campanha em Brasília, sem agendas públicas. A perspectiva é que ele continue se dedicando aos preparativos para o debate ao longo desta quinta. O confronto acontece à noite.
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