Voto útil, engajamento e abstenção: o que ainda pode mudar eleição
- 01/10/2026 03:00
- Redação
A quatro dias do início da votação, nenhuma pesquisa eleitoral aponta um favorito claro ao Palácio do Planalto. No primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na frente ou empatado com Flávio Bolsonaro (PL), a depender do instituto consultado, com diferenças que, em vários levantamentos, cabem na margem de erro. O tema foi discutido na edição especial do O Grande Debate Eleições 2026 na noite de quarta-feira (30).
No segundo turno, o cenário é de empate técnico entre os dois candidatos.
O quadro eleitoral revela divisões bem definidas: Lula lidera com folga entre eleitores que ganham até dois salários mínimos, enquanto Flávio Bolsonaro tem vantagem nas faixas de renda superiores. Entre os católicos, Lula retém a preferência, mas a maioria do voto evangélico segue com Flávio Bolsonaro. O Nordeste continua sendo terreno seguro para a esquerda, enquanto o Sul favorece a direita.
Para Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, três elementos podem ainda mexer no resultado final: o voto útil, com a possível migração de eleitores de candidatos como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão); as notícias e o debate; e, sobretudo, o engajamento.
“O comparecimento dos eleitores é fundamental para a reta final e para os resultados que vão aparecer no domingo”, afirmou Russo, acrescentando que esse fator só pode ser capturado plenamente nas vésperas do pleito.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destacou que a avaliação do governo segue negativa, com 49% desaprovando e 46% aprovando. Segundo ele, um grupo relevante de eleitores desaprova Lula, mas se recusa a declarar intenção de voto em Flávio Bolsonaro.
“A chave dessa eleição talvez seja justamente o comportamento desse eleitor que está insatisfeito com o governo, mas que hoje se recusa a manifestar a intenção de voto em Flávio”, disse Tokarski. Ele apontou que esse eleitor tende a ser mais escolarizado, de classe média e de grandes centros urbanos.
Bruno Soller, analista e sócio do Real Time Big Data, classificou este pleito como possivelmente “a eleição mais negativa desde a redemocratização”. Segundo ele, os votos são pouco afirmativos: “As pessoas não estão escolhendo o candidato pelo gosto desse candidato, estão escolhendo mais na tentativa de derrotar o outro lado.”
Soller também apontou que cerca de 12% a 13% dos eleitores ainda não tinham ideia de em quem votar no domingo (4), segundo o último levantamento interno da empresa.
Ele avaliou que a abstenção deve crescer em relação ao primeiro turno da eleição anterior e não descartou, como possibilidade remota, que a eleição pudesse ser encerrada já no primeiro turno.
Cila Schulman, CEO do Instituto de Pesquisa Ideia, reforçou a volatilidade dos votos observada nos dados mais recentes. “O eleitor está anestesiado, desanimado com as duas possibilidades presentes”, afirmou.
Ela explicou o fenômeno do chamado “antipetismo de chegada”, pelo qual eleitores de candidatos menores tendem a migrar para o nome mais forte da oposição às vésperas da votação.
Yuri Sanches, head de análise política da Atlas/Intel, analisou por que o governo não conseguiu escalar sua taxa de aprovação durante a campanha, ao contrário do que ocorreu com presidentes anteriores em eleições de reeleição.
Para ele, o governo chegou à campanha com rejeições consolidadas e um certo desânimo no eleitorado. “É um Lula que foi eleito com um voto crítico”, disse Sanches, lembrando que a vitória de 2022 se deu por uma margem de apenas 1,8 ponto percentual, em um contexto marcado pela avaliação negativa da gestão da pandemia e pela defesa da democracia.
Sanches apontou ainda que o governo demorou a apresentar entregas concretas e que medidas como a isenção do imposto de renda não se traduziram em conversão automática de votos — em parte porque boa parte do eleitorado beneficiado só sentirá os efeitos efetivamente no ano seguinte, ao declarar o imposto de renda.
“No saldo final do eleitor, parece não ter havido uma conquista, uma fidelização do apoio crítico que o presidente Lula recebeu em 2022”, concluiu.
Assista a íntegra do “O Grande Debate Eleições”:
AO VIVO: O GRANDE DEBATE ELEIÇÕES - O QUE DEFINE O VOTO? - 30/09/2026
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.