Especialista: Fake news só impactam eleitor caso tenham lastro na realidade
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Especialista: Fake news só impactam eleitor caso tenham lastro na realidade

  • 01/10/2026 02:14
  • Redação

A polêmica em torno da fake news sobre Nossa Senhora Aparecida, que envolve Flávio Bolsonaro e decisões de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), gerou debate sobre o papel da desinformação no cenário político brasileiro. Para o sociólogo e cientista político Alberto Carlos Almeida ao WW, esse tipo de conteúdo falso só alcança efetividade quando carrega algum lastro na realidade.

Almeida explicou que as fake news que circulam no ambiente político operam de maneira distinta daquelas que surgem em contextos próximos, como o local de trabalho.

Segundo ele, as que tratam de temas políticos distantes do cotidiano do eleitor só repercutem quando transmitem uma mensagem que, mesmo sendo falsa, reflete algum elemento verdadeiro sobre a pessoa ou grupo que é alvo da desinformação.

Exemplos históricos ilustram o argumento

Para fundamentar sua análise, Almeida recorreu a exemplos do passado político brasileiro. “No passado, quando o PT era radical, se dizia que se o PT vencesse iria invadir a casa das pessoas e distribuir cômodos para os mais pobres”, afirmou.

Para ele, essa fake news tinha um “fundo de verdade”, pois remetia à imagem do partido como socialista e radical.

Da mesma forma, a fake news de que o PSDB acabaria com o Bolsa Família, caso eleito, também encontrava respaldo na percepção pública, uma vez que o partido “falava sempre muito mal do Bolsa Família” e defendia uma “porta de saída” para o programa.

Aplicando essa lógica ao caso atual, Almeida avaliou que a fake news sobre Nossa Senhora Aparecida transmite ao eleitorado a mensagem de que, se Flávio Bolsonaro tivesse que escolher entre evangélicos e católicos, daria prioridade aos primeiros. “É isso que ela faz”, resumiu o especialista.

Impacto eleitoral é limitado

Apesar do potencial de propagação dessas narrativas, Almeida foi categórico ao afirmar que o impacto eleitoral de uma fake news é restrito. Segundo ele, esse tipo de conteúdo tende a consolidar votos já existentes, e não a convertê-los.

“Em geral ela não muda o voto, ela consolida votos já existentes”, disse. Ele acrescentou que, embora possa haver alguma mudança, ela seria muito pequena.

O especialista destacou ainda a dimensão do eleitorado brasileiro como fator determinante.

Com mais de 100 milhões de votos válidos previstos para a disputa à Presidência da República, Almeida argumentou que, para que um episódio como esse altere um resultado eleitoral, seria necessário um impacto superior a dois pontos percentuais — algo que ele considera improvável.

“O que eu creio não ser possível acontecer”, concluiu.

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  • Fonte: CNN Brasil
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