Koppert mantém expectativa de crescimento mesmo em cenário desafiador
- 30/09/2026 12:14
- Redação
A Koppert mantém uma perspectiva positiva para o mercado brasileiro de bioinsumos, mesmo diante da crise de crédito que tem afetado produtores, distribuidores e, mais recentemente, a indústria de insumos agrícolas. Para o CEO da companhia, Gustavo Herrmann, a pressão sobre os custos de produção pode favorecer a adoção de produtos biológicos, que, segundo ele, podem reduzir despesas sem comprometer a produtividade das lavouras.
Herrmann projeta continuidade do avanço dos biológicos mesmo que o mercado total de proteção de plantas apresente crescimento mais limitado. Segundo ele, a participação dos bioinsumos está hoje em torno de 7% do mercado de proteção de plantas e tende a aumentar à medida que produtores buscam reduzir custos e incorporar novas tecnologias.
Segundo ele, quando integrados ao manejo, os produtos biológicos podem complementar ou substituir parte das tecnologias químicas utilizadas na proteção das lavouras. “Conforme você fala de substituição, mesmo com um mercado de proteção de baixo crescimento, você tem uma adesão ano a ano maior, e por isso os bioinsumos não param de crescer, mesmo que o mercado de proteção não cresça”, disse em entrevista ao CNN Agro News.
“A gente está vendo com muitos bons olhos esse cenário no Brasil”, afirmou.
A expansão da demanda, no entanto, coloca pressão sobre a capacidade industrial da Koppert. Segundo Herrmann, as unidades atuais estão próximas da capacidade máxima de produção.
“A capacidade de produção está quase em sua totalidade. Então precisamos de uma fábrica nova de bactérias, uma fábrica nova de fungos”, afirmou. A companhia planeja ampliar a estrutura industrial para acompanhar o crescimento do mercado.
A necessidade de novos investimentos está diretamente ligada à busca da empresa por uma nova estrutura de capital. Em novembro de 2025, a Koppert tornou pública a procura por um investidor para a operação brasileira, em um processo conduzido pelo Itaú BBA. Na época, a companhia indicou uma captação de 100 milhões euros, destinada principalmente à expansão da capacidade produtiva.
Herrmann afirmou que a empresa continua olhando para parcerias no mercado financeiro. A busca ocorre depois de aportes feitos pela própria matriz holandesa ao longo da expansão da operação brasileira. Segundo o executivo, o objetivo agora é ampliar as fontes de capital disponíveis para a subsidiária.
A previsão inicial divulgada pela companhia era construir três novas unidades em Piracicaba, voltadas à produção de fungos, bactérias e nematoides, com recursos da captação e financiamento complementar.
O processo, porém, não teve até agora a conclusão anunciada. Em entrevistas anteriores, Herrmann havia dito que a empresa esperava concluir a entrada de um novo sócio até julho de 2026.
Além da ampliação da capacidade no Brasil, a Koppert pretende usar a operação brasileira como base para desenvolver e exportar tecnologias.
“Temos expandido a operação do Brasil através da Koppert para grandes culturas no mundo inteiro, criando tecnologia aqui e exportando”, afirmou Herrmann.
A companhia também está entrando no mercado de cana-de-açúcar da Flórida, nos Estados Unidos. Segundo o executivo, a região apresenta problemas semelhantes aos enfrentados pela cultura no Brasil e já possui histórico de utilização de produtos biológicos.