Produção pecuária é a menor em três anos, aponta IBGE
- 30/09/2026 11:10
- Redação
O valor de produção da pecuária atingiu R$ 141,2 bilhões em 2025, recorde da série e alta de 6,2% na comparação com 2024, segundo a Pesquisa da Produção da Pecuária Municipal, divulgada nesta quarta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Os produtos de origem animal responderam por R$ 128 bilhões, crescimento de 5,6%. A aquicultura somou R$ 13,2 bilhões, alta de 12,5%.
O leite de vaca representou a maior parcela do valor, com R$ 89,5 bilhões, equivalente a 63,4% do total. Na sequência apareceram os ovos de galinha, com R$ 36,4 bilhões, ou 25,8%, e o mel, com R$ 1,2 bilhão, 0,9%.
O rebanho bovino brasileiro caiu 1,7% em 2025, para 234,3 milhões de cabeças. É o segundo recuo anual consecutivo e o menor efetivo desde 2022, quando o país tinha 234,9 milhões de bovinos.
Segundo o IBGE, a redução está relacionada ao aumento dos abates nos últimos quatro anos, especialmente de fêmeas.
O Centro-Oeste concentrou o maior rebanho do país, com 72,2 milhões de cabeças, ou 30,8% do total. A região, no entanto, registrou queda de 3,7% no efetivo, a terceira consecutiva.
O Norte tinha 63,4 milhões de bovinos, redução de 1,8% em relação a 2024. No Sudeste, o rebanho caiu 1,0%, para 37,3 milhões de cabeças, enquanto o Sul registrou queda de 1,7%, para 24,1 milhões.
O Nordeste foi a única região a ampliar o rebanho em 2025, com alta de 2,2%, para 37,3 milhões de cabeças.
Entre os municípios, São Félix do Xingu (PA) manteve a liderança, com 2,7 milhões de bovinos, equivalente a 1,2% do total nacional. Na sequência aparecem Corumbá (MS), com 2,2 milhões; Porto Velho (RO), com 1,7 milhão; Cáceres (MT), com 1,4 milhão; e Marabá (PA), com 1,3 milhão.
A produção de leite de vaca alcançou 36,7 bilhões de litros em 2025, alta de 2,7% em relação ao ano anterior e o terceiro recorde consecutivo. O resultado ocorreu mesmo com uma redução de 2,7% no número de vacas ordenhadas.
Foram 14,7 milhões de vacas ordenhadas no ano, o menor número da série histórica do IBGE, iniciada em 1974.
Ao mesmo tempo, a produtividade avançou 5,6%, para 2.498,7 litros por vaca ao ano, também um recorde. De acordo com o instituto, o resultado reflete condições climáticas favoráveis, investimentos em genética e manejo e a reorganização da base produtiva.
A região Sul voltou a liderar a produção nacional, com 12,5 bilhões de litros, ou 34% do total, alta de 4,4% em um ano. O Sudeste produziu 12,3 bilhões de litros, crescimento de 2,3%, e respondeu por 33,5% do total.
O Nordeste ficou em terceiro lugar, com 6,6 bilhões de litros e alta de 2,7%. O Centro-Oeste produziu 3,6 bilhões de litros, queda de 1%, enquanto o Norte registrou 1,7 bilhão de litros, alta de 1,4%.
Castro (PR) foi o município com maior produção de leite, com 532,8 milhões de litros, aumento de 10% em relação a 2024. Carambeí (PR), com 306,8 milhões de litros, e Patos de Minas (MG), com 249,2 milhões, completaram as primeiras posições.
O número de galináceos chegou a 1,6 bilhão de cabeças em 2025, alta de 1,6% em relação ao ano anterior e novo recorde.
As galinhas destinadas à produção de ovos somaram 293,3 milhões de animais, aumento de 5,8% e também o maior efetivo da série.
A produção de ovos alcançou 5,7 bilhões de dúzias, recorde e o maior volume desde o início da trajetória de crescimento registrada pelo IBGE em 1999. O valor de produção chegou a R$ 36,4 bilhões, alta de 13,9%.
O Sudeste liderou a produção, com 2,3 bilhões de dúzias, equivalente a 39,3% do total nacional. O Sul produziu 1,3 bilhão de dúzias, enquanto o Nordeste registrou 1,1 bilhão.
Santa Maria de Jetibá (ES) foi o principal município produtor de ovos e também liderou o efetivo de galináceos, com 18,4 milhões de animais.
O efetivo de caprinos aumentou 1,2% em 2025, para 13,5 milhões de animais, enquanto o de ovinos cresceu 1,6%, para 22,3 milhões. Os dois resultados são recordes da série.
O Nordeste concentra a maior parte desses rebanhos, com 96,6% dos caprinos e 75,8% dos ovinos do país.
Já o número de suínos permaneceu praticamente estável, em 44 milhões de animais. O efetivo de fêmeas reprodutoras também ficou estável, em cerca de 5 milhões.
Toledo (PR) manteve a liderança entre os municípios na criação de suínos, com 935 mil animais, seguido por Uberlândia (MG), com 588 mil, e Concórdia (SC), com 519,4 mil.
A produção brasileira de mel cresceu 4,5% em 2025, para 71,3 mil toneladas, o maior volume da série histórica. O setor registra recordes anuais desde 2018.
O Sul voltou a liderar a produção regional, com 37,1% do total, depois de ocupar a primeira posição pela última vez em 2022. A produção da região cresceu 18,8% em relação a 2024.
O Rio Grande do Sul foi o maior produtor nacional, com 15,3% do total, seguido pelo Paraná, com 15%. O Nordeste também respondeu por 37,1% da produção brasileira.
Santa Luzia do Paruá (MA), Arapoti (PR), Boa Esperança do Sul (SP), São Raimundo Nonato (PI) e Ortigueira (PR) foram os cinco municípios com maior produção de mel em 2025.