Mounia Orosemane, 1ª modelo negra de alta-costura, retorna à passarela
- 30/09/2026 10:10
- Redação
Considerada uma das primeiras modelos negras da alta-costura parisiense, a martinicana Mounia Orosemane, 76, fez seu retorno às passarelas na última segunda-feira (28), durante a Semana de Moda de Paris.
Trajando um vestido preto longo e volumoso, ela abriu a seção de alta-costura do desfile de verão 2027 da grife Matières Fécales. O casting reuniu 99 modelos não brancos diretamente da Place de la République.
Antes mesmo de brilhar nas passarelas, Monique, nascida em 1959, em Saint-Esprit, na Martinica, trabalhava como locutora no aeroporto local da ilha, sendo responsável por anunciar as chegadas e partidas de voos.
Sua carreira ganhou pontapé inicial após ser transferida, aos 19 anos, para o aeroporto de Orly, em Paris, no epicentro da moda, com o sonho de ser comissária de bordo.
A primeira grande oportunidade de Mounia foi com a Givenchy, em uma época em que modelos negras como Iman, Beverly Johnson e Pat Cleveland estavam abrindo as portas para novos nomes na indústria.
Em busca de sua nova musa, Yves Saint Laurent ficou encantado pela beleza da martinicana, a colocando como ápice de seu trabalho. Em 1978, ela atravessou a passarela de alta-costura da casa de moda francesa, tornando-se então a primeira modelo negra a aparecer na apresentação.
“Eu fui a primeira musa negra [de Yves Saint Laurent]. Ele ajudou a abrir as portas para modelos negras. Às vezes eu era sua confidente e outras vezes inspirava sua criatividade. Ele me chamava de Moumounn”, disse ela em uma entrevista à revista W, em 2008.
“A coleção que me tornou uma celebridade foi inspirada em ‘Porgy and Bess’. Eu usava um terninho rosa e um chapéu de palha. Desfilei ao som de ‘Summertime’ e realmente incorporei a personagem de Bess. Catherine Deneuve se levantou e começou a aplaudir. Então todos se levantaram e gritaram ‘Bravo!’. Yves Saint Laurent espirou por trás da cortina – algo que ele nunca tinha feito antes – para ver o que estava acontecendo. As pessoas gritavam ‘Bravo, Yves Saint Laurent!’ e ‘Brava, Mounia!’. Ele me abraçou e nos beijamos. Para mim, isso foi histórico”, recordou.
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Ao todo, Mounia representou a grife na capa de quase 20 revistas e seguiu desfilando coleções nas décadas de 1970 e 1980, abrindo espaço para outras potências como Naomi Campbell e Tyra Banks.
Com a carreira curta e bem-sucedida, Orosemane também lançou álbuns musicais, se aposentou das passarelas e hoje dedica-se à artes. Suas pinturas abstratas, com cores vibrantes, já foram exibidas em galerias do mundo todo.
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