Tartarugas na mira de caçadores: polícia combate caça ilegal em parque estadual de MT
- 30/09/2026 07:01
- Redação
A operação ocorre justamente em uma época considerada crítica para a proteção dos quelônios Reprodução operação da Polícia Civil busca combater a caça ilegal de várias espécies de tartarugas no Parque Estadual do Araguaia, no leste de Mato Grosso.
A ação, realizada nesta quarta-feira (30), investiga um grupo suspeito de capturar, abater e vender animais silvestres de forma clandestina.
Ao todo, são cumpridos oito mandados de busca e apreensão em propriedades rurais e endereços residenciais e comerciais em Mato Grosso e Goiás.
Batizada de Operação Iurará, a ação é conduzida pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema).
Os mandados foram cumpridos em cinco propriedades rurais de Ribeirão Cascalheira, a cerca de 900 km de Cuiabá, além de dois endereços residenciais em Goiânia (GO) e um estabelecimento comercial em Aparecida de Goiânia (GO).
Segundo as investigações, os suspeitos podem estar envolvidos em crimes como caça, venda e comércio de animais silvestres, além de abate, dano ambiental e associação criminosa.
Agora no g1 Investigação aponta ataques frequentes a tartarugas A investigação da Polícia Civil indica que a caça ocorreria de forma recorrente no Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Quelônios do Araguaia, unidade de conservação localizada na margem direita do Rio das Mortes.
A área abrange os municípios de Ribeirão Cascalheira, Cocalinho (MT) e Nova Nazaré (MT) e fica próxima ao Parque Estadual do Araguaia.
De acordo com a apuração, um fazendeiro e empresário do setor de cosméticos seria apontado como o principal suspeito de liderar o grupo.
Ele possui uma propriedade às margens do Rio das Mortes, em Ribeirão Cascalheira, localizada em frente à área protegida.
Outros investigados teriam ligação com o empresário, entre eles a esposa e funcionários da propriedade.
A suspeita é de que os animais capturados fossem destinados à venda clandestina.
Período de desova aumenta risco para tartarugas A operação ocorre justamente em uma época considerada crítica para a proteção dos quelônios.
Entre setembro e outubro, durante o período de seca, praias de areia surgem às margens dos rios da região.
É nesses locais que a tartaruga-da-Amazônia, também conhecida como iurará, costuma se concentrar para colocar os ovos.
A movimentação dos animais durante a reprodução acaba facilitando a localização por caçadores.
Por isso, segundo as investigações, esse período é especialmente visado pela caça ilegal.
Além da tartaruga-da-Amazônia, outras espécies de quelônios, como o cágado, também aparecem entre os animais que seriam alvo dos caçadores.
Armas e outros objetos usados para a caça apreendidos na operação desta quarta-feira (30) Reprodução Área é habitat de diversas espécies A região investigada está inserida em um importante conjunto de áreas protegidas do Vale do Araguaia.
Entre elas está o Parque Estadual do Araguaia, uma das maiores unidades de conservação estaduais de Mato Grosso.
A importância ambiental da região também está relacionada à diversidade de animais que vivem no local.
Entre as espécies encontradas estão o lobo-guará, o veado-campeiro, o boto-cor-de-rosa e diferentes espécies de tartarugas.
O parque também tem função de corredor ecológico, permitindo a circulação de animais entre diferentes áreas protegidas.
A proteção desses corredores é uma das funções previstas para a unidade de conservação, justamente para permitir o deslocamento da fauna entre diferentes áreas naturais.