Em debate no Paraná, candidatos sobem tom sobre Bolsonaro, STF e corrupção
- 30/09/2026 00:14
- Redação
Os candidatos ao governo do Paraná, Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL) participaram nesta terça-feira (29) de debate promovido pela RPC, afiliada da TV Globo. Ao longo da transmissão, eles protagonizaram embates sobre a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal), alianças políticas com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e corrupção.
O encontro foi o segundo debate televisionado da campanha com a participação de mais de um candidato. Outros eventos previstos para reunir os concorrentes acabaram transformados em sabatinas após ausências de candidatos.
O debate foi dividido em quatro blocos, com mediação da apresentadora Helen Anacleto. Em três deles, os candidatos discutiram temas de livre escolha, com perguntas dirigidas uns aos outros.
Logo no início, Moro lamentou o que classificou como baixo nível da campanha e criticou adversários por suas relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sandro Alex rebateu e questionou a aproximação do senador com Jair Bolsonaro (PL), após as divergências entre os dois durante o período em que Moro comandou o Ministério da Justiça.
O candidato do PSD também acusou Moro de ter votado a favor da indicação de Flávio Dino ao STF (Supremo Tribunal Federal). Alex citou as imagens de mensagens do celular do senador publicadas pelo jornal O Globo em 2023. “O print é eterno“, afirmou. A votação no Senado foi secreta. Moro negou ter apoiado Dino: “Eu votei contra Flávio Dino. O voto é secreto. Eu sei como eu votei”.
Alex ainda criticou Moro por deixar o mandato no Senado para disputar o governo do Paraná e afirmou que o senador deveria permanecer no Congresso para atuar em pautas defendidas pela oposição. Moro respondeu que assinou um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O confronto entre os dois se repetiu ao longo do debate. Alex acusou Moro de abandonar projetos e cargos antes de concluí-los e atribuiu ao ex-juiz parte da responsabilidade pela derrota de Bolsonaro em 2022. Moro, por sua vez, afirmou que deixou as divergências com o ex-presidente no passado e lembrou que o apoiou no segundo turno contra Lula.
Moro também questionou Alex sobre uma obra de acesso ao resort Tayayá, ligado à família do ministro Dias Toffoli, do STF, e acusou o adversário de ter priorizado o empreendimento em detrimento da Ponte de Guaratuba. Alex classificou a acusação como mentira e afirmou que a atual gestão enfrentou obstáculos para tirar a ponte do papel.
Na educação, Sandro Alex destacou os resultados do Paraná e atribuiu parte do desempenho às escolas cívico-militares. Ele questionou Requião sobre declarações anteriores a respeito do modelo e afirmou que o pedetista pretendia acabar com essas unidades.
Requião negou que vá fechar escolas e disse que pretende mudar um modelo que, segundo ele, “não deu tão certo“. Também defendeu a ampliação do ensino em tempo integral e da educação técnica. Alex rebateu dizendo que as escolas cívico-militares têm aprovação dos pais e elogiou o currículo adotado.
A violência contra a mulher entrou no debate em uma pergunta de Requião a Moro. O senador afirmou que 6.854 mulheres foram vítimas de estupro no Paraná no ano passado. Como propostas de segurança, defendeu centros integrados de vigilância eletrônica, com câmeras públicas e privadas, inteligência artificial e reconhecimento facial, além da construção de um presídio estadual de segurança máxima.
Requião defendeu políticas de prevenção e educação para enfrentar a violência e a adesão a iniciativas federais contra o feminicídio. Também propôs a criação de um hospital voltado a mulheres e crianças. Moro citou um projeto de sua autoria para permitir a transferência de presos que continuem ameaçando ou importunando vítimas mesmo durante o cumprimento da pena.
Requião também questionou a aproximação de Moro com o PL (Partido Liberal) e mencionou o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. O pedetista perguntou o que havia mudado desde as críticas feitas anteriormente pelo ex-juiz ao partido.
Moro respondeu que Valdemar não terá participação em um eventual governo seu e apresentou propostas para o combate à corrupção. Prometeu criar um código de ética para a alta administração estadual e uma agência anticorrupção, além de tornar os serviços e as contas do governo mais acessíveis por meios digitais.
Requião questionou a necessidade de uma nova estrutura e afirmou que o estado já dispõe de órgãos de controle. Também citou projetos de sua autoria voltados à transparência e disse ter apresentado, como deputado estadual, dezenas de denúncias sobre supostas irregularidades.
A Operação Lava Jato também apareceu na discussão. Moro afirmou que Lula “jamais foi inocentado pelos tribunais”. As condenações do presidente foram anuladas pelo STF, que considerou que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar os casos.
A gestão de empresas e serviços públicos também colocou os candidatos em lados opostos. Requião criticou a privatização da Copel e atribuiu ao governo estadual a responsabilidade pelas tarifas da companhia. Segundo ele, a empresa passou a priorizar o retorno aos acionistas. Sandro Alex rebateu e responsabilizou o governo federal por parte dos aumentos sentidos pela população.
Moro também responsabilizou o governo estadual pelo aumento das tarifas da Copel (Companhia Paranaense de Energia), mas descartou reestatizar a companhia. Ao falar da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), afirmou que o serviço prestado atualmente não é adequado e citou problemas de abastecimento.
Requião voltou a criticar a gestão das empresas e afirmou que o lucro dos acionistas passou a ter prioridade. Moro prometeu dar um “choque de gestão” na Sanepar e defendeu que os cargos de direção sejam ocupados por pessoas com qualificação técnica.
Nas considerações finais, os três candidatos retomaram propostas apresentadas ao longo do debate e voltaram a trocar críticas. Requião afirmou que sua candidatura representa um projeto de oposição e criticou os adversários pela disputa em torno do apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O candidato voltou a defender a retomada do controle da Copel pelo Estado, a redução de impostos para pequenas e microempresas, investimentos em saúde, segurança pública e infraestrutura e a criação de estruturas de atendimento às mulheres.
Moro disse que o debate foi marcado por “agressões” e acusações que classificou como falsas. O senador defendeu propostas para educação, saúde, infraestrutura e segurança pública, além da criação de uma agência estadual anticorrupção e da redução gradual de tributos. Moro também afirmou que pretende manter projetos e obras do governo Ratinho Junior (PSD) e reiterou seu apoio a Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência.
Alex, por sua vez, apresentou sua candidatura como continuidade da gestão de Ratinho Junior e destacou ações do atual governo nas áreas de educação, saúde, segurança, habitação e infraestrutura. O candidato prometeu entregar 400 creches, criar a Agência Estadual do Cuidado, ampliar investimentos nas forças de segurança e dar continuidade aos programas habitacionais. Alex também defendeu a política econômica da atual gestão e afirmou que pretende manter o ritmo de investimentos e de geração de empregos no estado.