Brasil poderá ter primeiro barco do mundo com produção de hidrogênio a bordo para abastecimento próprio com combustível ‘movido à água’
Ciência

Brasil poderá ter primeiro barco do mundo com produção de hidrogênio a bordo para abastecimento próprio com combustível ‘movido à água’

  • 28/09/2026 22:41
  • Redação

Um barco com a promessa de ser inédito no planeta foi apresentado, nesta segunda-feira (28), em São Paulo, no ‘São Paulo Boat Show 2026’. A embarcação chamada JAQ H2 será capaz de produzir o hidrogênio a bordo para o próprio abastecimento, segundo os responsáveis pelo projeto.

Com um motor híbrido, o barco de 50 metros será movido tanto a diesel ‘verde’, uma espécie de óleo vegetal hidrotratado de menor poluição, quanto a hidrogênio. A expectativa é que o JAQ H2 fique pronto para navegar em 2027 e seja 100% livre de carbono durante a operação.

A ideia inovadora globalmente é o sistema a bordo capaz de captar a água do mar, usar a dessalinização e produzir, por meio da eletrólise, processo químico para separação das moléculas, o hidrogênio que será utilizado para abastecer o barco.

O hidrogênio é extraído da água (H₂O), já que ela une dois átomos do elemento e um de oxigênio.

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“Nós vamos ter um eletrolisador. Uma planta dentro dele [barco] para produzir o nosso próprio hidrogênio, para poder fabricar, abastecer e navegar. Se a gente conseguir ter sucesso nisso, fica comprovado para o planeta que qualquer porto poderá ter o próprio eletrolisador”, diz Ernani Paciornik, fundador do Grupo Náutica e idealizador da embarcação, em entrevista à CNN Brasil.

• Divulgação/Grupo Naútica

A iniciativa é liderada pelo Grupo Náutica, em parceria com a empresa chinesa GWM Hydrogen, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e o Itaipu Parquetec.

O primeiro barco não tinha o motor movido a hidrogênio: apenas a parte da hotelaria da embarcação usava o combustível verde. Depois de iniciado o projeto o motor foi trocado. Batizado como JAQ H1, o barco tem 36 metros e é utilizado, segundo os idealizadores, para transporte marítimo, pesquisas, ciência e educação.

Vamos mostrar que é viável.

Ernani Paciornik, fundador do Grupo Náutica e idealizador da embarcação
• Divulgação/Grupo Naútica

“Eu acho que uma das grandes diferenças será a aceitação porque no primeiro projeto a gente fez uma coisa, era uma loucura, levar um barco ‘movido a água’ e dizer que aquilo iria funcionar”, relembra Paciornik.

Assim como o primeiro barco, o JAQ H2 será destinado à pesquisa oceanográfica e utilizará a infraestrutura preparada para operação de veículos submarinos controlados remotamente, uma espécie de drone marinho, para coleta de materiais durante a pesquisa.

  • Fonte: CNN Brasil
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