Igreja Nórdica escondia esqueleto de 900 anos que resolveu o enigma das ruínas de pedra na Groenlândia
- 28/09/2026 09:15
- Redação
Por muito tempo, um conjunto de pedras no sul da Groenlândia chamou a atenção dos arqueólogos, mas ainda faltava uma evidência para confirmar o que havia naquele local. A resposta apareceu apenas neste ano, quando uma escavação encontrou um esqueleto enterrado próximo às ruínas.
O achado confirmou que a estrutura era uma igreja medieval ligada aos povos nórdicos que viveram na Groenlândia. O local fica em Qinngua, perto de Narsarsuaq e não muito distante de Brattahlíð, assentamento associado a Erik, o Vermelho, um dos nomes mais conhecidos da colonização nórdica da ilha.
A possibilidade já existia antes da nova escavação. As ruínas formam uma construção de pedra cercada por uma muralha retangular, característica que levantava a hipótese de que o espaço tivesse sido usado como uma igreja e cemitério.
O problema é que as primeiras pesquisas feitas no local, ainda nos anos 2000, não haviam encontrado sepulturas. Sem um cemitério, não era possível confirmar com segurança a função religiosa da construção.
Isso mudou durante a escavação realizada em agosto deste ano. Os pesquisadores encontraram um esqueleto enterrado com a cabeça voltada para o leste, uma orientação tradicional de sepultamentos cristãos. A presença confirmou a existência do antigo cemitério e, junto com as características das ruínas, reforçou a identificação da igreja.
A própria construção também ajuda a estimar sua idade. O tamanho da igreja e a quantidade de pedras trabalhadas encontradas no local apontam para um período entre 1100 e 1300, embora os pesquisadores ainda estejam analisando os vestígios.
Além de indicar que havia cristãos vivendo naquela região, a descoberta ajuda a entender como essas comunidades estavam organizadas.
A nova igreja fica próxima de duas ou três antigas fazendas, o que pode indicar a existência de uma pequena comunidade ao redor do local. Para os pesquisadores, a construção também pode fornecer pistas sobre as relações sociais e de poder entre os grupos nórdicos que ocupavam a região.
A região já era conhecida por abrigar outras igrejas nórdicas. A nova descoberta, porém, chama atenção porque amplia o mapa conhecido desses assentamentos e mostra que ainda existem vestígios da presença nórdica na Groenlândia que não haviam sido identificados.
A descoberta também é próxima de Brattahlíð, principal assentamento associado a Erik, o Vermelho. Os nórdicos chegaram à Groenlândia por volta do ano 980 e permaneceram na ilha durante séculos, antes do desaparecimento de seus assentamentos medievais.
O achado pode ficar ainda mais interessante se uma hipótese dos pesquisadores for confirmada.
Registros medievais mencionam igrejas nórdicas na Groenlândia que ainda não foram localizadas. Uma delas aparece como “Kirkja undir Sólarfjöllum”, nome que pode ser traduzido como “Igreja sob as Montanhas do Sol”.
A descrição combina com a paisagem de Qinngua, onde as ruínas foram encontradas. As montanhas próximas à região podem corresponder ao que os nórdicos chamavam de “Montanhas do Sol”, mas os pesquisadores ainda não afirmam que se trata da mesma igreja.
Por isso, a descoberta pode servir também como uma pista para futuras buscas. Se a localização realmente corresponder ao antigo registro, outras igrejas mencionadas em documentos medievais podem estar esperando para ser encontradas na Groenlândia.