Manifestantes acampam em praça de Madri contra alta dos aluguéis
Internacional

Manifestantes acampam em praça de Madri contra alta dos aluguéis

  • 28/09/2026 08:12
  • Redação

Manifestantes acampavam nesta segunda-feira (28) em frente à sede do governo regional de Madri pelo terceiro dia consecutivo para protestar contra o despejo de uma idosa de 87 anos e exigir maior proteção aos inquilinos diante da escassez de moradias e da alta dos aluguéis na Espanha.

Os protestos ganharam força na semana passada, depois que a polícia retirou Maricarmen Abascal, de 87 anos, de sua casa em Madri em uma maca. Ela vivia no imóvel havia mais de sete décadas e foi despejada após um fundo de investimentos que havia comprado o apartamento obter uma ordem judicial para a retirada.

Centenas de pessoas se reuniram diante do prédio onde Abascal morava e entraram em confronto com a polícia. O governo central, liderado pelos socialistas, criticou a administração regional de centro-direita por não ter impedido o despejo.

Nesta segunda-feira, centenas de barracas ocupavam a região central da Puerta del Sol, em uma mobilização que remete aos protestos de 2011, quando ativistas ocuparam a praça durante um mês para protestar contra medidas de austeridade adotadas durante a crise financeira global.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou no domingo que o governo trabalhava para aprovar no Parlamento, até terça-feira (29), um decreto habitacional que proporcionaria alívio imediato aos inquilinos.

Diferentemente da crise financeira, quando muitos despejos estavam relacionados à inadimplência de hipotecas após o estouro da bolha imobiliária, uma parcela crescente das expulsões atualmente está ligada a disputas envolvendo aluguéis. O cenário reflete a escassez de imóveis no país. Os aluguéis, em média, dobraram na última década, muito acima do crescimento dos salários.

Dezenas de milhares protestam em Madri

No sábado (26), cerca de 30 mil pessoas marcharam pelas ruas de Madri para protestar contra o tratamento dado a Abascal e a outras pessoas retiradas de suas casas por fundos de investimento.

Os manifestantes balançaram chaves e carregaram cartazes com frases como “Especuladores, vão para casa” e “Moradia é para viver”.

Ao anoitecer, na Puerta del Sol, onde fica a sede do governo regional de Isabel Díaz Ayuso, dezenas de ativistas montaram barracas. O número de manifestantes acampados aumentou desde então.

Blanca, uma estudante, disse que os jovens espanhóis enfrentam dificuldades para sair da casa dos pais.

“Os políticos não apenas não fazem nada, como pioram a situação”, afirmou. “Decidimos não aceitar mais isso, então esperamos que eles nos ouçam.”

Segundo a União dos Inquilinos, que coordena os protestos, novas manifestações estavam previstas para esta segunda-feira em várias partes da Espanha.

Do hospital em Madri, Abascal afirmou que não poderia participar do protesto e pediu que os manifestantes continuassem mobilizados.

“Sejam corajosos, lutem, defendam o que é de vocês e, por favor, cuidem de si mesmos. Continuem acampados enquanto seus corpos aguentarem e enquanto quiserem. Esperamos que tudo isso termine bem amanhã”, disse ela em um vídeo distribuído pela União dos Inquilinos.

Espanha enfrenta déficit de moradias

A Espanha tem um déficit de cerca de 750 mil moradias, segundo o banco central do país. A instituição estima que o número possa superar 1 milhão até 2028.

Atualmente, são construídas apenas cerca de 120 mil moradias por ano, aproximadamente um sexto do ritmo registrado antes da crise financeira de 2008.

Ayuso afirmou que os protestos são uma tentativa de “mudar as regras do jogo” para contratos já existentes e questionou se os ativistas defendem a criação de um limite de idade para o pagamento de aluguel.

  • Fonte: CNN Brasil
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@nortaonoticias.com.br

Compartilhar: