Espero que discussão do ajuste fiscal volte ao cenário, diz Rafaela Vitória
Economia

Espero que discussão do ajuste fiscal volte ao cenário, diz Rafaela Vitória

  • 26/09/2026 18:13
  • Redação

O maior desafio para o mercado brasileiro são os juros altos, e uma maior visibilidade sobre a política fiscal do país se torna necessária, afirma a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória. A declaração foi dada durante entrevista no Inter Invest Summit, realizado em Belo Horizonte.

“A razão dos juros altos está no fiscal mais expansionista, como a gente viu nos últimos anos, por isso que o mercado está muito de olho nesse programa fiscal, porque é esse programa ou a credibilidade desse programa que vai permitir com que o Banco Central possa cortar os juros de maneira mais acelerada em 2027”, aponta.

Vitória avalia que, embora a taxa de juros elevada seja favorável para o investidor de renda fixa, ela também se torna fonte de problemas no crédito e no endividamento das famílias. A economista afirma que o cenário atual se aproxima de um limite que exige a redução da Selic.

“A gente está chegando próximo desse limite, de fato, o Banco Central já começou o início dessa calibração, a gente começou o ano com uma taxa de juros de 15%, hoje está 13,75, é uma queda lenta ainda e gradual, mas a gente está no caminho desse alívio dos juros também para as famílias”, acrescenta.

Ainda assim, ela avalia que os estímulos fiscais acabaram contribuindo para a manutenção dos juros elevados, tornando o ritmo de cortes mais lento, mas afirma que ainda há espaço para uma redução.

“O Banco Central tem espaço ainda para alguns cortes, na medida que a taxa de juros vai caindo, mesmo que de maneira lenta, a gente tende a ver um alívio também para o endividamento das famílias”, diz Vitória.

Cenário eleitoral e volatilidade

A economista-chefe reconhece que a corrida eleitoral provoca um ambiente de maior incerteza e volatilidade, mas espera encontrar um cenário mais concreto após as eleições.

“A gente espera uma volatilidade menor e espera que essa discussão do ajuste fiscal realmente volte para o cenário. Hoje, ela está ali nos bastidores das discussões de programas de governos, ela não é uma discussão que chega na frente das campanhas, por isso mesmo a gente tem um pouco mais de incerteza,” aponta.

Ela também acrescenta que o debate sobre um ajuste fiscal deve se tornar mais central após a disputa, possibilitando “uma perspectiva melhor de queda de juros no próximo ano.”

Na avaliação de Vitória, tanto uma reeleição quanto uma vitória da oposição ao atual governo podem resultar na correção fiscal necessária.

“O mercado está um pouco mais dividido com uma expectativa que a oposição teria uma oportunidade maior e mais concreta de um ajuste fiscal, que daria um fôlego mais rápido para a economia e para esse cenário de queda de juros, mas a gente entende que uma reeleição também vai para o mesmo caminho”, afirma.

Ainda assim, ela considera que uma eventual reeleição pode resultar em um ajuste mais gradual, mas aponta que a atenção à política fiscal tende a ganhar espaço no debate econômico.

  • Fonte: CNN Brasil
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