Média de depósitos em bets no Brasil era de R$ 582 milhões por dia
- 26/09/2026 10:04
- Redação
O mercado brasileiro de apostas esportivas e jogos on-line registrou, entre janeiro de 2025 e junho de 2026, depósitos superiores a R$ 318 bilhões, uma média de R$ 582 milhões por dia. Os dados são do do Ministério da Fazenda, obtidos pela CNN Brasil com base na LAI (Lei de Acesso à Informação).
Nesta sexta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma Medida Provisória para proibir apostas esportivas no Brasil. O veto acontece a nove dias da eleição e sob protesto de clubes.
Governistas justificam a decisão como “medida social”, enquanto a oposição fala em “medida eleitoreira”. Entidades e empresas de bets prometem judicializar a questão. Apostadores têm até o dia 5 de outubro para resgatar os depósitos.
As apostas de quota fixa foram oficialmente criadas em dezembro de 2018, no governo de Michel Temer, e regulamentadas em 2023, já sob a gestão Lula. Na ocasião, o Executivo listou uma série de normas que as casas de apostas precisavam seguir para operar no Brasil.
Desde a regulamentação, o governo acompanha a movimentação do mercado de apostas. Ao longo do ano passado, por exemplo, os aportes que chegaram às contas administradas pelas empresas somaram cerca de R$ 229,5 bilhões, média superior a R$ 19 bilhões por mês.
O valor anual era superior, por exemplo, às despesas totais do Ministério da Educação em 2025 que, segundo o Portal da Transparência, chegaram a pouco mais de R$ 222 bilhões.
Só no primeiro semestre deste ano, apostadores depositaram R$ 88,5 bilhões nas plataformas, registrando cerca de R$ 14,7 bilhões mensais. O montante total representa 14% a menos do quanto o Bolsa Família pagou para famílias brasileiras entre janeiro e junho de 2026: cerca de R$ 77,6 bilhões.
Os dados fornecidos pelo governo à CNN via LAI foram analisados pelo SIGAP (Sistema de Gestão de Apostas), vinculado à Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda.
Os aportes cresceram rapidamente ao longo de 2025. Em janeiro daquele ano, os jogadores depositaram R$ 12 bilhões nas plataformas. O volume avançou mês a mês e atingiu o pico da série em outubro, com R$ 22,6 bilhões de depósitos. Já entre janeiro e outubro, o valor mensal dos depósitos aumentou cerca de 88%.
A comparação entre períodos equivalentes, porém, mostra uma desaceleração na entrada de recursos. No primeiro semestre de 2025, os aportes chegaram a aproximadamente R$ 101 bilhões; nos seis meses de 2026, ficaram em R$ 88,5 bilhões, uma redução de cerca de 12%. Mesmo com a queda, o mercado continuou recebendo, em média, quase R$ 500 milhões por dia somente no primeiro semestre deste ano.
A trajetória mudou em 2026. Depois de R$ 18,6 bilhões serem registrados em janeiro, os depósitos recuaram sucessivamente até chegar, em junho, a R$ 13,1 bilhões. Do pico de outubro de 2025 até junho deste ano, a queda foi de aproximadamente 42%. No segundo trimestre de 2026, foram depositados R$ 40 bilhões, quase 40% abaixo dos R$ 66,2 bilhões registrados no quarto trimestre de 2025.
Total de aporte em bets e jogos online por mês:
No pedido de Lei de Acesso à Informação feito pela CNN, o Ministério da Fazenda optou por divulgar os aportes, ou depósitos feitos pelos jogadores nas contas mantidas nas plataformas, em vez de usar apenas o chamado “valor apostado”.
Segundo a pasta, o total apostado pode contabilizar dinheiro que já estava dentro da plataforma, recursos provenientes de prêmios anteriores e até bônus concedidos pelas próprias empresas. Por isso, na perspectiva do órgão, os aportes são considerados uma medida mais adequada para dimensionar a entrada efetiva de recursos nas contas de bets e jogos online.
O montante, porém, não significa também que R$ 318 bilhões correspondem ao faturamento das empresas do mercado de quota fixa. Parte do dinheiro pode posteriormente ser retirada, transformada em prêmio ou permanecer nas carteiras dos usuários.
A própria secretaria também ressalta que os números do SIGAP são dinâmicos e podem sofrer alterações posteriores em razão de novos envios, correções e retificações feitas pelas operadoras das bets e jogos virtuais.
O governo do presidente Lula anunciou, em cerimônia na capital paulista, a proibição de cassinos online, como o jogo do tigrinho, e as chamadas bets. Além de uma medida provisória, o petista também enviou ao Congresso Nacional um PL (Projeto de Lei) que endurece regras para o mercado ilegal de apostas. O texto define conceitos e tipifica crimes relativos às apostas de quota fixa.
As medidas foram anunciadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo o ministro, a partir do dia 6 de outubro não haverá mais sites ou patrocínios das bets no Brasil.
Confira o cronograma das medidas:
Antes do anúncio, na manhã dessa sexta-feira, o presidente da República voltou a criticar as casas de apostas online. Lula disse que pretende acabar com as bets e relacionou o problema ao endividamento e ao adoecimento de brasileiros.
“Eu quero que vocês saibam que tem muita gente doente por causa do jogo. Muita gente endividada. E eu quero dizer pra vocês, eu vou acabar com as bets. O dinheiro do jogo é para comprar comida para as crianças”, afirmou.
Ainda em seu discurso, Lula também afirmou não considerar correto o gasto de dinheiro “que não se tem” na tentativa de obter ganhos com apostas: “Não é correto a gente gastar o que não tem pra tentar ganhar o que não existe. Não dá pra ficar acreditando em mentira”.
Clubes brasileiros de futebol emitiram, em 17 de setembro, um manifesto contra a possibilidade de proibição das casas de aposta no país. No posicionamento, os times defenderam a manutenção do mercado e não o fim dele.
Apesar de reconhecerem os impactos sociais provocados pela expansão das casas de aposta, os clubes falam de uma maior fiscalização, prevenção e mecanismos de proteção aos apostadores.
Além disso, foi gerado um alerta de que o fim do mercado de apostas poderia gerar um impacto ao futebol brasileiro, uma vez que diversas plataformas são os principais patrocinadores de times das principais ligas do país. Lula rebateu tais alegações e afirmou que os clubes terão que buscar outras formas de financiamento.
O fim das Bets no Brasil podem acabar com mais de 15 mil vagas de emprego | BASTIDORES CNN