Orçamento e STF vão dificultar agenda do próximo governo, diz Rafael Cortez
Politica

Orçamento e STF vão dificultar agenda do próximo governo, diz Rafael Cortez

  • 26/09/2026 03:00
  • Redação

A reorganização das forças políticas após as eleições não deve, por si só, resultar em um ambiente mais favorável à tomada de decisões e à implementação de políticas públicas no próximo mandato. A avaliação é do cientista político Rafael Cortez, professor do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) e consultor de política da Tendências Consultoria, em participação no WW Especial, da CNN Brasil.

Segundo Cortez, mesmo em períodos considerados normais, a recomposição das forças políticas após uma eleição não costuma se traduzir automaticamente em melhores condições para a tomada de decisões. Para ele, o cenário do próximo mandato terá ainda dois obstáculos específicos: as restrições orçamentárias e a relação entre os Poderes, especialmente em torno do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Por mais que o eleitorado, nesse momento em que ele é chamado para ter um peso nesse poder relativo que as diferentes forças políticas vão ter ao longo de um período de mandato, no caso de quatro anos, num momento em que se faz um balanço e se reaglutina as diferentes forças, mesmo em circunstâncias normais, essa reaglutinação não costuma se traduzir automaticamente num ambiente decisório mais positivo”, afirmou.

Na avaliação do professor, a questão orçamentária será um dos principais fatores a limitar a capacidade do próximo governo de direcionar recursos para áreas consideradas prioritárias. Ele destacou a necessidade de rever a rigidez do orçamento público brasileiro.

“Acho que a primeira é a questão orçamentária, porque a gente tem, digamos assim, um encontro com uma legislação orçamentária que precisa voltar para o azul e que precisa, de alguma maneira, se a gente quer endereçar problemas específicos, perder um pouco da sua rigidez, que é uma característica do orçamento brasileiro”, disse.

Cortez acrescentou que, sem mudanças nessa estrutura, a tendência é que eventuais alterações na destinação dos recursos sejam limitadas. “Se não perder, a tendência é ter mudanças mais marginais em termos de onde a gente vai alocar recursos públicos. Acho que esse é um caráter meio excepcional.”

Outro ponto destacado pelo cientista político é a dificuldade de construir uma agenda de maior alcance diante da atuação do Supremo e das relações entre Executivo e Legislativo. De acordo com ele, o próximo presidente precisará lidar com a instabilidade das coalizões políticas.

“O segundo ponto tem a ver com o Supremo Tribunal Federal. Eu vejo como pouco provável que a gente tenha uma agenda um pouco mais de fôlego para enfrentar esses temas mais espinhosos”, destacou.

Rafael Cortez também relacionou a possibilidade de avanço dessa agenda à capacidade do próximo presidente de repensar o chamado presidencialismo de coalizão e compreender as razões da instabilidade das alianças políticas.

“Se no próximo mandato, o próximo presidente, não tiver pelo menos alguma habilidade para repensar esse presidencialismo de coalizão, tentar entender por que as coalizões não duram mais no tempo de hoje, elas são muito instáveis, elas são muito suscetíveis a decisões idiossincráticas, a ver o presidente do Senado, o presidente da Câmara e o presidente da República ficando reféns”, declarou.

WW Especial

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

Conheça o Clube de Membros da CNN Brasil no YouTube. Ao se cadastrar, você garante acesso antecipado à íntegra da edição já às sextas-feiras, além de cortes exclusivos e conteúdos de bastidores do programa.

AO VIVO: O QUE AS ELEIÇÕES RESOLVEM? | WW ESPECIAL - 27/09/2026

  • Fonte: CNN Brasil
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@nortaonoticias.com.br

Compartilhar: