Juros futuros recuam em dia de queda do petróleo e IPCA-15
- 25/09/2026 16:01
- Redação
Após avançarem nas duas sessões anteriores, as taxas dos DIs fecharam a sexta-feira (25) com baixas, em uma sessão de queda do petróleo no exterior, alta dos rendimentos dos Treasuries e novos dados sobre a inflação, com a disputa eleitoral no Brasil ainda no foco.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,645%, com baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,667% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,98%, com recuo de 7 pontos-base ante 14,054%.
Depois de disparar nos últimos dias, o petróleo Brent cedeu nesta sexta-feira, mas ainda se manteve em nível elevado, na faixa dos US$ 104 o barril neste fim de tarde.
Por trás do movimento está a expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo de paz, ainda que ataques dos houthis contra a Arábia Saudita continuem ameaçando o fornecimento de petróleo.
Apesar do recuo do petróleo, os rendimentos dos Treasuries de dez e 30 anos voltaram a subir, refletindo as preocupações dos agentes com a continuação da guerra e a inflação norte-americana.
No Brasil, porém, o dia foi de redução dos prêmios na curva, após os avanços mais recentes, com os investidores ponderando não apenas o cenário externo, mas também os números mais recentes da pesquisa Datafolha e do IPCA-15.
O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguiu com vantagem de 2 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial.
Lula tem 47% e Flávio soma 45%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Na semana passada Lula tinha 46% e Flávio registrava 44%.
Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou pela manhã que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro, após recuar 0,40% em agosto.
Em 12 meses, houve alta de 4,47% em setembro, contra 4,24% em agosto. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas menores, de 0,53% em setembro e 4,30% em 12 meses.
A abertura do indicador mostrou que a alta dos serviços passou de 0,07% em agosto para 0,59% em setembro, enquanto a taxa de serviços subjacentes, que exclui alguns itens mais voláteis, passou de 0,50% para 0,28%, conforme cálculos do banco Bmg. A inflação de serviços intensivos em mão de obra variou de 0,55% para 0,56%.
Ainda de acordo com o Bmg, a taxa média dos núcleos de inflação calculados pelo Banco Central foi de 0,22% para 0,34%.Para Flavio Serrano, economista-chefe do Bmg, o resultado do IPCA-15 de setembro não altera o cenário atual para a taxa básica Selic, atualmente em 13,75%.
Segundo ele, um novo corte da taxa pelo Banco Central no início de novembro dependerá da dinâmica do boletim Focus – que hoje projeta mais uma redução de 25 pontos-base, mas uma inflação de 4,92% este ano, distante da meta de 3%.
O economista Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, avaliou que o IPCA-15 tornou “mais desafiadora” a expectativa de novo corte da Selic em novembro.
“A combinação de serviços mais fortes, núcleos acima do esperado e riscos em alimentos e gasolina sinaliza uma inflação pior para o fim do ano”, disse Pestana. “Se esses sinais persistirem, o Banco Central terá mais motivos para esperar antes de cortar novamente.”
No exterior, às 16h33 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 1 ponto-base, a 5,171%.