Autoridade diz que Irã não fará concessões em programa nuclear
- 25/09/2026 12:58
- Redação
O Irã sinalizou nesta sexta-feira (25) que não fará concessões sobre o programa nuclear, mesmo que os Estados Unidos aceitem a proposta iraniana para o encerrar a guerra, que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval americano.
O Irã afirmou que estaria disposto a participar de negociações detalhadas sobre seu programa nuclear somente depois que os Estados Unidos cumprissem suas condições.
Mas a autoridade afirmou que o Irã não faria concessões em relação a seus direitos, incluindo o enriquecimento de urânio ou o envio de seu urânio altamente enriquecido para fora do país, uma das principais exigências dos Estados Unidos.
Falando sob condição de anonimato, uma autoridade sênior iraniana disse à Reuters que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que “todas as condições do Irã sejam atendidas” pelos Estados Unidos.
Pela proposta iraniana, o regime reabria o Estreito de Ormuz — rota estratégica para a economia global.
Em troca, as hostilidades deveriam cessar em todas as frentes, incluindo o Líbano, em até sete dias; os Estados Unidos suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos, liberariam os fundos congelados do Irã e revogariam as sanções ao petróleo, detalhou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi.
A proposta surge em meio à retomada de negociações indiretas entre os Estados Unidos e o Irã.
Em conversa com jornalistas à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse esperar que um acordo para encerrar as hostilidades possa ser alcançado antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, no entanto, Donald Trump negou que as eleições de Meio de Mandato possam limitar suas ações contra o Irã. Trump ameaçou “aniquilar” o regime se um acordo não for alcançado e insistiu que Teerã não poderá ter armas nucleares.
Israel, os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam há muito tempo o Irã de buscar armas nucleares, apontando, entre outras coisas, para a decisão do país de enriquecer urânio a 60%, um nível muito superior ao necessário para fins civis e mais próximo dos 90% necessários para uma arma nuclear. O Irã nega buscar armas nucleares.
A Agência Internacional de Energia Atômica estima que o Irã tinha 440,9 quilos de urânio enriquecido a 60% quando Israel e os Estados Unidos atacaram instalações nucleares iranianas em junho de 2025. Não está claro quanto desse material sobreviveu.
Autoridades iranianas afirmaram que o Irã poderia concordar em diluir seu urânio com maior grau de enriquecimento.
Em maio, a Reuters informou que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, havia emitido uma diretriz determinando que o urânio altamente enriquecido do país não deveria ser enviado para o exterior, segundo duas fontes iranianas de alto escalão.