É preciso libertar territórios do controle do crime, diz especialista à CNN
Brasil

É preciso libertar territórios do controle do crime, diz especialista à CNN

  • 25/09/2026 12:45
  • Redação

Em entrevista ao Live CNN nesta sexta-feira (28), Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador, discutiu os avanços do crime organizado no país e afirmou que as entidades federais precisam atuar de forma inteligente para libertar territórios do controle das facções.

A conversa integra uma série de entrevistas especiais ao vivo realizadas pela CNN Brasil entre 21 e 25 de setembro, que têm como foco os temas de violência e segurança pública, apontadas como as principais preocupações do eleitorado brasileiro atualmente.

Criado sob a premissa de “Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade e União”, Manso explica que o PCC (Primeiro Comando da Capital) surgiu para produzir uma nova ética e proposta para a carreira do crime, se propondo a guerrear contra o sistema no Brasil.

Para o especialista, a facção opera hoje como uma “agência reguladora” do mercado do crime, atuando em um mercado bilionário como o do tráfico internacional de cocaína.

Bruno afirma que, em 25 anos, o PCC conseguiu estruturar um corredor de transporte e venda de entorpecentes nos Andes. Segundo o pesquisador, a região reúne condições de temperatura e altitude capazes de produzir cocaína para os mercados internacionais.

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Expansão do crime organizado e atuação do Estado

De acordo com Bruno, a facção se reinventa o “tempo inteiro”, principalmente por ser um dos grandes personagens no modelo de tráfico internacional de cocaína que, hoje, fatura bilhões.

Ele explica que, conforme as estratégias das autoridades de fiscalização se modificam, a facção busca alternativas para manter o fluxo de drogas. O especialista cita a expansão das operações para estados como Ceará, Bahia e Santa Catarina, além da atuação internacional, como parte de uma estratégia de diversificação das rotas.

Ao ser questionado sobre o que as autoridades estão fazendo de errado, Manso explica que a estrutura das polícias nacionais “se prendeu durante muito tempo em pessoas pouco importantes em bairros pobres do Brasil”.

Isso fez com que os presídios superlotassem e fomentasse o uso dos novos presos pelas facções como massa de manobra, dando a elas uma força que até então não tinham.”São os efeitos colaterais das políticas públicas, às vezes, que funcionam, mas também produzem problemas”, conclui.

Bruno ainda reforça que, nos últimos quatro anos, o cenário mudou. “Diante da nacionalização do crime, se percebeu que a União tinha que entrar. Então, agora, melhorou e sofisticou a discussão de segurança pública, mas demorou um pouco e esse tempo foi suficiente para que eles crescessem da forma que cresceram”, afirma.

Papel dos presídios

Para Paes Manso, a política de presídios federais teve efeitos sobre a expansão das facções ao reunir líderes criminosos de diferentes estados.

Na avaliação do pesquisador, o encarceramento em massa produziu efeitos colaterais que contribuíram para o fortalecimento das facções criminosas. Ele afirma que o número de presos no Brasil passou de cerca de 90 mil, em 1990, para mais de 900 mil atualmente.

“Vários líderes criminosos de diferentes estados passaram a cumprir pena juntos e isso fazia com que eles voltassem para o estado com um status mais respeitado no crime, com ideias novas”, afirmou.

Soluções

Como medidas de enfrentamento ao crime organizado, o pesquisador defendeu investimento em inteligência, integração entre as autoridades e atuação sobre o sistema financeiro, sobretudo da Receita Federal e COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que, para ele, são estratégicos nessa situação.

Bruno Paes Manso também apontou a necessidade de recuperar territórios controlados pelo crime e citou o roubo de celulares como outro problema que deve ser enfrentado com estratégias.

“A questão dos territórios controlados pelo crime, é uma chaga e um drama para quem vive nessas áreas. É preciso libertar esses territórios do controle do crime.”, afirma.

CNN Brasil faz entrevistas sobre segurança pública; veja cronograma | CNN AGORA

  • Fonte: CNN Brasil
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