Papa Leão XIV alerta que IA pode criar “paraíso de máquinas”
- 25/09/2026 08:44
- Redação
O papa Leão XIV pediu nesta sexta-feira (25) que o mundo reavalie o desenvolvimento da IA (inteligência artificial) e alertou que a tecnologia pode criar um futuro em que “um paraíso de máquinas” assuma o controle da Terra.
Primeiro papa americano, Leão colocou os riscos da IA no centro de seu pontificado, que completa 16 meses, e fez do tema um dos principais pontos de sua visita de quatro dias à França, a primeira de um pontífice ao país em quase 20 anos.
“Para garantir que não percamos nossa humanidade em meio ao ‘paraíso de máquinas’ que invade e molda nossa vida cotidiana, é urgente que treinemos nossas mentes para o discernimento ético”, afirmou o papa sob os tetos ornamentados do Palácio do Eliseu.
Leão também reiterou com veemência os ensinamentos da Igreja Católica em defesa da vida e criticou iniciativas para permitir a morte assistida de pessoas com doenças incuráveis. A declaração ocorre dois meses após parlamentares franceses aprovarem uma medida nesse sentido.
Durante a visita, que passará por três cidades francesas, o papa também buscará recuperar a imagem da Igreja no país após os escândalos de abuso que provocaram comoção nacional.
Leão XIV também deve apresentar, em um discurso na segunda-feira (28), sua visão para o futuro da Europa.
O papa Leão XIV pediu nesta sexta-feira (25) que o mundo não se torne indiferente à dor provocada pelo “flagelo da guerra” e alertou para a proliferação de armas nucleares durante visita à França.
Em discurso ao presidente francês, Emmanuel Macron, e outros políticos, Leão pediu que as pessoas não considerem a guerra inevitável.
“Peço a vocês que nunca se resignem à perspectiva da guerra ou a considerem ‘inevitável’”, disse o pontífice.
Leão também pediu que a França “permaneça uma defensora incansável da paz e do multilateralismo, especialmente dentro de nossa amada Europa”.
O papa reiterou ainda a oposição histórica da Igreja Católica às armas nucleares e defendeu que elas sejam proibidas.
“A crença equivocada de que possuir armas nucleares é uma garantia de segurança está se espalhando e alimentando uma nova corrida armamentista difícil de controlar”, afirmou.
A defesa da paz tem sido um dos principais temas do pontificado de Leão XIV, que está há 16 meses à frente da Igreja Católica. Durante o voo para a França, o primeiro papa americano disse a jornalistas que chegaria ao país como um “peregrino” da paz.
O pontífice provocou a reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início deste ano após criticar a guerra entre Washington e Irã.
Macron, por sua vez, prometeu aumentar o arsenal nuclear francês e fortalecer a capacidade de dissuasão do país em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia e a outras ameaças globais.