Chuva atrasa safra de soja nos EUA e faz processadoras pagarem prêmio
- 25/09/2026 05:21
- Redação
A chuva nos EUA está provocando uma corrida pela soja enquanto começa a colheita no Meio-Oeste americano. O excesso de umidade atrasou a entrada da nova safra, reduziu a oferta disponível e levou processadoras a pagar prêmios elevados para receber soja imediatamente.
Segundo reportagem da Successful Farming, algumas indústrias chegaram a oferecer até US$ 1 por bushel acima da cotação dos contratos futuros de novembro para conseguir matéria-prima para suas unidades de esmagamento em Iowa.
Em uma unidade da Bunge em Council Bluffs, também em Iowa, o prêmio chegou a 85 centavos de dólar por bushel para entregas até sábado. Na Cargill, uma oferta para entrega imediata equivalia a cerca de US$ 14,18 por bushel, antes de cair para um desconto de 15 centavos em relação ao contrato futuro para entregas posteriores.
Os relatos de produtores e esmagadores indicam que a soja da safra passada está acabando, enquanto a nova ainda não chega em volume suficiente às indústrias.
As chuvas deixaram muitas áreas encharcadas, dificultando a entrada das máquinas nas lavouras. Além disso, a umidade elevada reduz a velocidade de secagem natural dos grãos e, em algumas regiões, empurra a maturação da lavoura em várias semanas.
O resultado é uma disputa pela soja que ainda está disponível. De acordo com a Reuters, algumas esmagadoras já precisaram reduzir o ritmo de processamento por falta de matéria-prima. Unidades da Cargill em Cedar Rapids, Iowa Falls e Sioux City, por exemplo, não chegaram a publicar ofertas de farelo de soja, segundo comerciantes ouvidos pela agência, porque não havia soja suficiente para garantir o processamento.
A situação também apareceu no mercado futuro. O contrato de farelo de soja para outubro atingiu na quinta-feira o maior valor de sua história e passou a ser negociado com prêmio em relação ao vencimento seguinte.
O problema ganha importância porque os Estados Unidos ampliaram nos últimos anos a capacidade de esmagamento de soja, principalmente para atender ao crescimento da demanda por biocombustíveis. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) estima que as processadoras devem esmagar 2,78 bilhões de bushels de soja nesta temporada, um recorde.
Ou seja: há mais capacidade industrial para consumir soja, mas, neste momento, o grão não está chegando na velocidade necessária.
Para os produtores que ainda possuem soja da safra anterior ou conseguiram colher parte da nova safra, isso representa uma oportunidade de venda com preços muito acima do padrão local. Para quem ainda não consegue entrar na lavoura, porém, o cenário é o oposto. O agricultor não consegue aproveitar imediatamente a alta porque a própria chuva impede a colheita.
A situação não está restrita ao oeste do Meio-Oeste. Segundo as duas matérias americanas, processadoras de regiões centrais e do leste também elevaram as ofertas. Em Indiana, a Bunge aumentou em 20 centavos de dólar por bushel sua oferta para entregas imediatas, para um prêmio de 25 centavos sobre o contrato futuro de novembro.
O movimento acontece em um momento particularmente importante para o mercado global de soja. O Brasil está chegando ao fim do ciclo de comercialização da safra 2025/26, enquanto a nova produção brasileira só começa a entrar no mercado internacional de forma mais significativa a partir do início de 2027.
Ao mesmo tempo, a China voltou a comprar soja americana. Segundo a Reuters, compradores chineses adquiriram cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos EUA em uma semana no início de setembro, em movimento associado às negociações comerciais entre Donald Trump e Xi Jinping.
No curto prazo, portanto, a chuva americana atrasa a chegada da soja ao mercado e encarecer o grão disponível imediatamente. Se o clima melhorar e a colheita avançar, a tendência é que a oferta física aumente e esses prêmios de entrega imediata diminuam. Mas, enquanto as máquinas não conseguem entrar no campo, as esmagadoras precisam disputar cada carga disponível.