Importados ganham espaço e pressionam pequenas indústrias de leite no RS
Agronegócios

Importados ganham espaço e pressionam pequenas indústrias de leite no RS

  • 24/09/2026 19:32
  • Redação

A produção de leite do Rio Grande do Sul cresceu cerca de 2,38% em 2025 na comparação com o ano anterior, mas o avanço não foi suficiente para aliviar a pressão sobre as pequenas e médias indústrias de laticínios.

Segundo a Apil (Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul), os produtos importados, principalmente da Argentina e do Uruguai, representam aproximadamente 8% do mercado e chegam ao consumidor com custos inferiores aos dos produtos fabricados no Estado.

O presidente da Apil, Fernando Zimmermann, afirma que a entrada de produtos importados tem afetado principalmente empresas de menor porte, que disputam espaço diretamente com os itens estrangeiros nas redes varejistas. Segundo ele, parte das importações também é realizada por empresas que utilizam traders para acessar o mercado externo.

“Hoje já há redes de pizzarias e supermercados que conseguem fazer essas importações diretamente ou por meio de traders. Esses produtos acabam entrando com um custo muito menor, o que afeta bastante o nosso mercado”, afirma.

A concorrência com os importados também interfere na relação entre produtores e indústrias, especialmente diante da pressão sobre os preços pagos pelo leite. Para Zimmermann, a redução dos valores recebidos pelos produtores não pode ser atribuída exclusivamente aos laticínios, que também precisam lidar com as condições de mercado e com a concorrência dos produtos estrangeiros.

“Nós acabamos entrando numa briga, com o produtor achando que o laticinista é o culpado pela baixa dos preços que ele sofre. Estamos simplesmente reagindo a uma questão de mercado”, diz.

As pequenas indústrias enfrentam ainda uma diferença de estrutura em relação às empresas maiores. Enquanto grandes companhias conseguem importar determinados ingredientes e insumos, como leite em pó e massa utilizada na fabricação de requeijão, os laticínios menores dependem principalmente do leite produzido no próprio Rio Grande do Sul. Com custos mais elevados, essas empresas precisam absorver parte da diferença para manter os preços competitivos no mercado.

“A gente acaba passando apenas uma parte desse custo e isso impacta diretamente no preço do produtor também”, afirma Zimmermann.

Outro ponto destacado pela entidade é a ociosidade da indústria gaúcha. A capacidade instalada dos laticínios é estimada entre 19 milhões e 20 milhões de litros de leite por dia, enquanto a produção atual está em aproximadamente 10,5 milhões de litros diários.

O espaço disponível na indústria tem levado as empresas a buscar aumento da produtividade nas propriedades que já fazem parte de suas bases de fornecedores.

A estratégia inclui medidas para reduzir o custo de produção e elevar a produtividade dos produtores, além de concentrar a captação em regiões que já são atendidas pelas indústrias. Com isso, as empresas também podem reduzir despesas relacionadas à logística e à assistência técnica.

Diante da pressão dos importados, a Apil defende mudanças nas condições de concorrência para o setor. Entre as propostas está a criação de uma sobretaxa para determinados produtos estrangeiros, especialmente leite em pó e queijo muçarela provenientes da Argentina e do Uruguai. A entidade afirma que discute o tema com o G100 e a ABIQ (Associação Brasileira das Indústrias de Queijo), além de buscar alternativas tributárias que reduzam a diferença de preços entre os produtos importados e os fabricados no país.

A associação também defende medidas para ampliar o acesso ao crédito para o setor e estimular o consumo de leite e derivados. Para a entidade, ações desse tipo poderiam ajudar a reduzir os efeitos da concorrência externa sobre as indústrias nacionais.

Zimmermann também destaca as exigências sanitárias aplicadas à produção brasileira de leite. Segundo ele, os produtores e laticínios do Rio Grande do Sul seguem regras de controle sanitário e de produção consideradas rigorosas pela legislação brasileira.

O presidente da Apil questiona, porém, se os produtos importados estão submetidos a padrões equivalentes em seus países de origem.

  • Fonte: CNN Brasil
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