Juros futuros fecham em alta com rendimento dos Treasuries no radar
Economia

Juros futuros fecham em alta com rendimento dos Treasuries no radar

  • 24/09/2026 15:44
  • Redação

As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira (24) com altas sob influência do exterior, onde os rendimentos ​dos Treasuries, o dólar e o petróleo subiram em função ​das preocupações com a continuidade da guerra no Oriente Médio.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,675%, com alta de 10 pontos-base ante o ajuste de 13,573% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,065%, com elevação de 3 pontos-base ante 14,039%.

O rendimento do título norte-americano de 30 anos atingiu durante o dia o maior nível desde 2004, precificando ⁠a probabilidade de uma guerra prolongada de ​EUA e Israel contra o Irã, com impactos sobre a inflação e a atividade.

A aceleração dos rendimentos ​dos Treasuries durante a manhã acabou por conduzir as taxas dos DIs também para o território positivo.

Após marcar a ⁠mínima de 13,550% (-2 pontos-base) às 10h12, a taxa do ⁠DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 13,685% (+11 pontos-base) às 12h52.

Perto desse ​horário ‌os rendimentos dos Treasuries também renovaram as máximas do dia, em meio a preocupações com a inflação nos EUA e ⁠à perspectiva de novas altas de juros pelo Federal Reserve.

No Brasil, o BC (Banco Central) atualizou pela manhã suas projeções econômicas por meio do Relatório de Política Monetária. A expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026 passou de 2,0% para 1,8%, ‌enquanto ⁠a projeção para o ‌próximo ano é de 1,4%.

Em entrevista sobre o relatório, o diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, reforçou que a instituição faz atualmente uma “calibração” da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, e que ⁠os juros serão mantidos em níveis restritivos.

“As taxas ainda estão ⁠e vão ser mantidas em patamares restritivos para atender nosso compromisso de conduzir a inflação para a meta”, afirmou Picchetti, que atualmente acumula a Diretoria ‌de Política Econômica do BC.

Entre os analistas do mercado, a desaceleração da atividade tem sido citada como um dos fatores que favorecem novos cortes da Selic.

Atualmente, a curva de DIs precifica de forma majoritária novo corte de 25 pontos-base em novembro, mas profissionais ouvidos pela Reuters têm ponderado que isso dependerá em grande parte do cenário ‌pós-eleitoral.

Nesta quinta-feira os investidores seguiram atentos à disputa pelo Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas eleitorais mais recentes. Um novo levantamento do Datafolha ⁠será divulgado no início da noite.

No noticiário local, destaque ainda para a nova fase da operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo para apurar o suposto uso de um esquema de ​lavagem de dinheiro na compra de uma grande distribuidora de combustíveis.

Um executivo do mercado financeiro que teve ligações com o ​Banco Genial e um delator do caso Banco Master estão entre os alvos.

No exterior, às 16h33 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 7 pontos-base, a 5,187%. Já o retorno do papel de 30 anos avançava 7 pontos-base, para 5,473%. O petróleo Brent subia ‌4,22%, aos US$107,43 o barril.

 

  • Fonte: CNN Brasil
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