Jovem encontrada morta no CE: perícia descarta sinais de violência ou luta
Brasil

Jovem encontrada morta no CE: perícia descarta sinais de violência ou luta

  • 24/09/2026 13:32
  • Redação

A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) concluiu que não houve sinais de violência ou luta na morte de Isabelle Caracristi, de 22 anos, no bairro Aldeota, em Fortaleza. A conclusão foi apresentada nesta quarta-feira (23), durante uma coletiva conjunta da Polícia Civil e da Perícia Forense sobre a investigação da morte da jovem.

A estudante de direito foi encontrada morta no último dia 13, no condomínio em que morava com o namorado, João Munhoz Neto, de 34 anos.

A conclusão da perícia aponta que a jovem de 22 anos se lançou do rooftop do prédio. No entanto, o namorado permanece preso preventivamente e é investigado por possível violência psicológica, indução ou instigação ao suicídio e eventual obstrução da investigação.

Hipóteses descartadas

A análise do apartamento onde Isabelle morava com João não identificou sinais de arrombamento, desordem ou luta corporal.

Também não foram encontradas, no corpo da estudante, lesões de defesa, sinais de esganadura ou marcas de agressões físicas anteriores à queda.

Segundo os investigadores, o material das câmeras de vídeo –– quase 700 arquivos de vídeo –– foi considerado íntegro e não apresentou sinais de adulteração.

No entanto, o rooftop, ponto onde Isabelle caiu, e as escadas de emergência do edifício não tinham equipamentos de videomonitoramento.

Os exames toxicológicos e alcoólicos deram resultado negativo para álcool e drogas ilícitas, sendo identificado apenas carisoprodol, um relaxante muscular que, segundo a família, já fazia parte do uso prévio da estudante.

Conclusões dos laudos

O exame necroscópico da vítima apontou politraumatismo como causa da morte. Além disso, a jovem teve a perna direita amputada na queda.

Segundo a Pefoce, a lesão que provocou a amputação também foi consequência do impacto, quando o corpo atingiu o gradil da estrutura.

Os cálculos realizados pelos peritos indicam que Isabelle percorreu uma trajetória de queda predominantemente vertical, com duração aproximada de três segundos até o impacto contra o solo.

Namorado é investigado

Apesar da conclusão pericial sobre a dinâmica da queda, a Polícia Civil afirma que a investigação ainda precisa esclarecer o que aconteceu antes da morte e se João teve participação nos acontecimentos que antecederam a queda.

Segundo os investigadores, depoimentos apontam para um relacionamento marcado por controle, isolamento e possíveis episódios de violência psicológica.

A polícia também apura informações relacionadas à vida financeira do casal, incluindo o uso de cartões da estudante e possíveis divergências entre os dois.

A investigação considera a possibilidade de enquadramento das condutas em crimes como violência psicológica contra a mulher e induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, previsto no artigo 122 do Código Penal.

Familiares relatam relacionamento abusivo

Antes da prisão, a mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, já havia relatado que era contrária ao relacionamento da filha.

Segundo ela, o namoro começou em julho, quando Isabelle passou a estagiar no escritório onde João trabalhava. A mãe afirmou que percebeu mudanças no comportamento da filha e classificou o relacionamento como controlador e obsessivo.

Isorlanda também relatou que a filha passou a se afastar da família e que João teria pedido o cartão de crédito de Isabelle para realizar uma cirurgia.

A mãe afirmou ainda que não foi avisada sobre a morte da filha na noite da ocorrência. Ela só descobriu o que havia acontecido no dia seguinte, quando foi ao condomínio procurar informações depois de não conseguir contato com Isabelle.

Veja: “Esse cara é um louco”, diz áudio atribuído a Isabelle antes da morte

  • Fonte: CNN Brasil
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