Mulher tinha dores de cabeça e alucinações até descobrir o que havia se espalhado pelo cérebro
- 24/09/2026 02:33
- Redação
Durante quatro meses, uma mulher de 52 anos conviveu com dores de cabeça e alucinações visuais antes de procurar atendimento médico nas Filipinas. Com o passar do tempo, porém, o quadro neurológico se agravou e ela também passou a apresentar alterações na fala.
Exames de imagem revelaram múltiplas lesões císticas espalhadas pelo cérebro. Dentro delas, havia pequenos nódulos que ajudaram os médicos a identificar a origem do problema. A paciente tinha neurocisticercose, uma infecção causada pela forma larval da Taenia solium, conhecida como tênia do porco.
O caso foi relatado por médicos das Filipinas e publicado em julho de 2026 no New England Journal of Medicine, uma das principais revistas científicas da área médica. A partir dos exames, os especialistas conseguiram identificar as lesões e chegar ao diagnóstico de neurocisticercose.
A investigação começou depois que a paciente apresentou os sintomas neurológicos. Na avaliação clínica, ela estava acordada e alerta, mas não conseguia seguir instruções simples. Apesar de falar de forma fluente, seu discurso era incoerente, com erros na escolha das palavras e dificuldades para nomear objetos e repetir frases.
Uma tomografia computadorizada mostrou várias lesões espalhadas pelo cérebro. Depois, uma ressonância magnética revelou cistos em diferentes regiões, incluindo os lobos temporal, occipital, frontal e parietal, além do cerebelo.
O detalhe que ajudou a esclarecer o diagnóstico estava dentro dos próprios cistos. As imagens mostraram pequenos nódulos brilhantes e deslocados para um dos lados, estruturas identificadas pelos médicos como o escólex, a extremidade anterior da larva da tênia. Esse padrão é conhecido na radiologia como “sinal do ponto no buraco” e é característico da neurocisticercose.
Além dos exames de imagem, um eletroencefalograma registrou descargas elétricas anormais na região temporal posterior esquerda. Por isso, os médicos também levantaram a hipótese de que crises epilépticas poderiam estar envolvidas nos sintomas apresentados pela paciente.
A infecção começa quando uma pessoa ingere ovos da Taenia solium, presentes em água, alimentos ou superfícies contaminadas. No organismo, eles dão origem às larvas, que podem chegar à corrente sanguínea e se alojar em diferentes tecidos. Quando atingem o cérebro, a infecção é chamada de neurocisticercose.
Um detalhe importante é que comer carne de porco não causa diretamente a neurocisticercose. A carne suína contaminada e malcozida está relacionada à teníase, provocada pela tênia adulta no intestino. Já a cisticercose ocorre quando os ovos do parasita são ingeridos, geralmente por contaminação fecal.
No cérebro, os cistos podem provocar diferentes sintomas, dependendo de onde estão localizados e de como o organismo reage à infecção. Dor de cabeça e convulsões estão entre os sinais mais frequentes, mas também podem ocorrer alterações neurológicas, problemas de equilíbrio e mudanças no estado mental.
Após a confirmação da doença, a paciente recebeu praziquantel e albendazol, medicamentos utilizados contra a infecção parasitária. O tratamento também incluiu corticoides para controlar a inflamação e levetiracetam, usado diante da suspeita de crises epilépticas.
Um mês depois, os médicos observaram uma melhora significativa. Os sintomas apresentados pela paciente haviam desaparecido, enquanto os exames mostraram que os cistos estavam menores e já não apresentavam os nódulos identificados anteriormente.
O caso mostra como uma infecção parasitária pode provocar manifestações neurológicas variadas quando atinge o sistema nervoso central. Na neurocisticercose, o quadro depende de fatores como a localização e a quantidade dos cistos, além da resposta do organismo à infecção.