Juros futuros sobem após nova pesquisa eleitoral e alta dos Treasuries
Economia

Juros futuros sobem após nova pesquisa eleitoral e alta dos Treasuries

  • 23/09/2026 15:49
  • Redação

As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira (23) com altas, em sintonia com o forte avanço dos rendimentos dos Treasuries no ​exterior, com investidores também reagindo ao leve fortalecimento do presidente Luiz Inácio Lula ​da Silva (PT) em uma nova pesquisa eleitoral.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,585%, com alta de 10 pontos-base ante o ajuste de 13,485% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,035%, com elevação de 7 pontos-base ante 13,962%.

A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,7% das intenções de voto no segundo turno na disputa pelo Planalto, contra 47,4% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os ⁠dois estão em empate técnico.

No entanto, o resultado coloca Lula ​novamente na liderança numérica, já que no levantamento anterior o petista tinha 46,8% e Flávio somava 47,2%.

Nas últimas semanas, ​a percepção de fortalecimento da candidatura de Flávio vinha favorecendo o chamado “trade eleitoral”, que se traduz no avanço do Ibovespa e na queda ⁠do dólar e das taxas dos DIs.

Lula é visto com ⁠desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas ​públicas ‌e, consequentemente, da inflação.

Assim, notícias desfavoráveis para Flávio – como o leve fortalecimento de Lula no segundo turno da pesquisa Atlas/Bloomberg – tendem a trazer um ⁠viés de alta para o dólar e para as taxas dos DIs.

Durante o dia, o viés de alta para as taxas no Brasil se intensificou com a aceleração dos rendimentos dos Treasuries, em meio à expectativa de que o Federal Reserve possa voltar a subir juros no curto prazo em função ‌da ⁠guerra no Oriente Médio ‌e seus impactos inflacionários.

Em outro sinal de pressão inflacionária, a S&P Global informou pela manhã que seu PMI (Índice de Gerentes de Compras, em inglês) dos EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 em setembro.

Esse foi o nível mais alto desde julho de 2021, após o resultado ⁠de 56,0 em agosto. Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor ⁠privado.

Em reação, os rendimentos dos Treasuries dispararam.

“No título de cinco anos, a taxa está acima de 5%, o que é bastante impressionante”, destacou à tarde a analista Laís Costa, ‌da Empiricus Research, ao justificar o avanço dos prêmios no Brasil.

Após marcar a mínima de 13,495% (+1 ponto-base) às 10h25, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 13,590% (+11 pontos-base) às 13h54, quando os rendimentos dos Treasuries também estavam próximos dos picos do dia.

Apesar da alta, a curva brasileira continuou refletindo expectativa de novo corte da Selic, hoje em 13,75%, no encontro de novembro do Copom (Comitê ‌de Política Monetária) do BC (Banco Central). Durante a tarde, a curva precificava cerca de 60% de chance de corte de 25 pontos-base, contra 40% de probabilidade de manutenção.

Profissionais ouvidos pela Reuters nos últimos dias têm pontuado que a eleição se tornou um fator fundamental para ⁠o próximo encontro do Copom, que ocorre logo após o segundo turno. “A eleição tira a incerteza, qualquer que seja o resultado. Então o mercado volta a tomar risco”, avaliou Costa.

“Seja com a continuação deste governo, com sinalizações melhores na área fiscal, seja com Flávio Bolsonaro, o real vai andar – ​e isso vai bater na inflação também.”

Pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, afirmou durante evento em São Paulo que o ​atual processo de cortes da Selic é de “calibração” — e não de afrouxamento monetário.

Ao mesmo tempo, defendeu que, em momentos de incerteza como o atual, a política monetária deve adotar movimentos suaves e cautelosos, minimizando solavancos.

No exterior, às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – disparava 14 pontos-base, a 5,11%. Já o petróleo Brent ‌subia 4,45%, para US$ 103,65 o barril.

 

  • Fonte: CNN Brasil
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