OCDE projeta crescimento global de 2,9% em 2026 e alerta para energia
- 23/09/2026 08:42
- Redação
A OCDE avalia que o crescimento global perdeu fôlego no primeiro semestre de 2026, mas permaneceu resiliente em muitos países, apesar dos efeitos adversos do conflito no Oriente Médio.
Segundo o relatório interino de perspectivas econômicas da OCDE, divulgado nesta quarta-feira (23), estoques elevados de petróleo, oferta adicional fora das economias do Golfo e medidas discricionárias de apoio adotadas por governos ajudaram a amortecer o impacto sobre a economia mundial.
A atividade ligada à IA (inteligência artificial) também sustentou investimento, produção e comércio.
A organização ressalta, no entanto, que as perspectivas seguem muito dependentes de uma solução duradoura para o conflito no Oriente Médio.
A OCDE observa que os preços de energia voltaram a subir com o agravamento das interrupções na produção e nas exportações no Golfo.
Margens de refino elevadas, em razão de gargalos produtivos, estão pressionando os preços ao consumidor e os custos das empresas.
Alguns preços agrícolas também avançaram de forma acentuada nos últimos meses, em parte devido ao impacto de eventos climáticos extremos sobre a oferta.
O relatório cita ainda que mudanças em políticas comerciais, incluindo tarifas e restrições à exportação, aumentam a incerteza e contribuem para rupturas na oferta.
A OCDE estima que novas tarifas bilaterais dos EUA, em vigor a partir de julho, elevaram em cerca de 1 ponto porcentual a tarifa efetiva média americana.
Outro ponto de atenção é a alta dos juros de longo prazo, que levou as taxas aos maiores níveis em 15 anos ou mais em muitas economias, em meio a preocupações com riscos fiscais de longo prazo e à forte emissão de títulos por empresas ligadas à IA.
Apesar disso, a OCDE afirma que as condições financeiras, no geral, seguem favoráveis, com bolsas em níveis elevados e melhora no crescimento do crédito.
A OCDE projeta que o PIB global cresça 2,9% em 2026 e 3,0% em 2027. Em relação às estimativas divulgadas em junho, a projeção para 2026 foi revisada para cima em 0,1 ponto porcentual, enquanto a de 2027 foi reduzida em 0,1 ponto.
Nos EUA, a OCDE prevê expansão de 2,2% em 2026 e 2,1% em 2027, com revisões de +0,2 ponto porcentual (pp) e +0,3 pp, respectivamente.
Na zona do euro, a projeção é de crescimento de 1,0% em 2026 (+0,2 pp) e 1,0% em 2027 (-0,2 pp). Na China, a OCDE manteve a previsão de 4,5% em 2026, mas cortou a de 2027 em 0,1 pp, para 4,2%.
A inflação, segundo a OCDE, tende a subir no curto prazo, refletindo o avanço de commodities, antes de ceder gradualmente em 2027, à medida que os preços de energia arrefecem e a política monetária mais restritiva ajuda a conter pressões mais amplas.
A inflação cheia do G20 é projetada para cair de 4,1% em 2026 para 3,6% em 2027, enquanto a inflação subjacente nas economias avançadas deve desacelerar de 2,7% para 2,5%.
A organização enfatiza que há incerteza significativa, especialmente quanto à energia.
Uma normalização mais rápida dos mercados de petróleo e gás reduziria as pressões inflacionárias e apoiaria a atividade, mas interrupções renovadas ou persistentes poderiam resultar em inflação mais alta e crescimento mais fraco.
Entre outros riscos de baixa, a OCDE menciona choques climáticos sobre a oferta, incluindo um El Niño muito forte, que afetem a produção agrícola e pressionem os preços de alimentos.
Também cita o risco de reprecificação de ativos caso os retornos de investimentos em IA decepcionem ou os rendimentos de títulos soberanos sigam subindo.
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No lado positivo, uma adoção de IA mais rápida, com ganhos de produtividade, poderia levar a um crescimento acima do projetado.
No campo da política monetária, a OCDE afirma que bancos centrais precisam manter as expectativas de inflação bem ancoradas e que novos ajustes podem ser necessários se as pressões de preços se disseminarem ou se as perspectivas de crescimento piorarem de forma relevante.
O relatório também defende supervisão cuidadosa para preservar a estabilidade financeira e o avanço de regulações para intermediários financeiros não bancários e criptoativos.
A OCDE recomenda que medidas governamentais para amortecer o impacto de energia mais cara sejam bem focalizadas, preservem incentivos para reduzir o consumo e diversificar fontes e tenham critérios claros para serem encerradas.
A alta dos rendimentos de títulos, acrescenta a organização, reforça a necessidade de conter e realocar gastos públicos, melhorar a eficiência do setor público e fortalecer receitas, dentro de estratégias plurianuais críveis de consolidação fiscal.
Por fim, o relatório defende reformas estruturais para elevar o crescimento potencial e a resiliência a choques de oferta, incluindo medidas para diversificar a energia e melhorar a eficiência, além de ações que ampliem a capacidade de mercados de trabalho e de produtos se ajustarem a choques.