Melasma: quais produtos são indicados para o problema
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Melasma: quais produtos são indicados para o problema

  • 23/09/2026 05:00
  • Redação

Manchas acastanhadas ou acinzentadas que surgem principalmente nas bochechas, na testa, no buço e no queixo são a marca registrada do melasma, uma condição de pele crônica que afeta principalmente as mulheres.

Exposição solar, oscilações hormonais e predisposição genética se combinam para estimular os melanócitos, células responsáveis por produzir o pigmento da pele, a trabalhar em excesso em determinadas regiões do rosto. O resultado é o acúmulo de melanina em manchas visíveis, que tendem a escurecer ainda mais com a exposição ao sol.

Minimizar ou desaparecer com essas manchas é um problema, e diversos dermocosméticos surgiram com essa promessa. No entanto, por trás dos rótulos de “clareador” nas prateleiras de farmácia, existe um pequeno grupo de ativos com respaldo científico consistente no tratamento do melasma.

A hidroquinona é um dos ativos mais conhecidos para o tratamento de hiperpigmentações. A substância interfere na produção de melanina e pode ser indicada em casos de melasma. Como pode causar irritação e outros efeitos colaterais quando usada de maneira inadequada, seu uso deve ser orientado por um dermatologista, que também determina a concentração e o período de tratamento.

“A hidroquinona continua sendo referência porque é o ativo mais estudado e o que clareia com mais rapidez. O efeito dela é muito bom. O problema são dois riscos importantes: a leucodermia em confete, em que a pessoa fica com pequenas manchas brancas que podem se tornar permanentes; e a possibilidade de pigmentar a pele com uma coloração escura, acinzentada”, explica Patrícia Dalboni, dermatologista.

O ácido tranexâmico vem ganhando espaço nos consultórios como alternativa, atuando na redução do processo inflamatório que estimula a produção de melanina.

A niacinamida, forma estável da vitamina B3, também é outra indicação. Além do efeito clareador mais suave, ajuda a fortalecer a barreira da pele e reduzir a inflamação, o que a torna uma opção bem tolerada até mesmo para uso contínuo.

“Também temos boas evidências para o ácido azelaico, os retinoides, a cisteamina e ativos mais recentes, como o thiamidol. Outras substâncias, como ácido kójico, glicólico, niacinamida e vitamina C, podem ser úteis principalmente em associações”, acrescenta Flégon David, dermatologista.

Em alguns casos, o especialista pode combinar diferentes ativos para obter melhores resultados. A escolha depende de fatores como intensidade das manchas, tipo de pele, histórico de tratamentos e presença de outras condições dermatológicas.

“A associação clássica com maior respaldo científico reúne hidroquinona, um retinoide e um corticoide de baixa potência. O retinoide melhora a renovação celular e facilita a ação da hidroquinona, enquanto o corticoide reduz a irritação e a inflamação, mas deve ser usado por período limitado e com prescrição médica. Dependendo do perfil do paciente, podemos associar ou alternar ácido azelaico, cisteamina, ácido tranexâmico, thiamidol, niacinamida e antioxidantes. Não existe, entretanto, uma fórmula universal. A escolha depende da sensibilidade da pele, da profundidade do pigmento, do fototipo, da presença de acne ou rosácea e de fatores hormonais e vasculares”, acrescenta David.

Uma rotina de cuidados para quem tem melasma costuma priorizar limpeza suave, hidratação e fotoproteção. Produtos com ativos clareadores ou antioxidantes podem ser acrescentados de acordo com a necessidade de cada pessoa. Pela manhã, por exemplo, podem ser utilizados produtos de tratamento seguidos de hidratante, quando necessário, e protetor solar. À noite, outros ativos podem ser incorporados conforme a orientação médica.

“Em geral, os primeiros resultados aparecem após quatro a oito semanas, enquanto uma melhora mais significativa costuma exigir dois a três meses. Esse tempo varia conforme a intensidade e a profundidade do melasma, a regularidade do tratamento e o controle da exposição à luz”, acrescenta David.

O melasma também exige cuidados, mesmo depois que as manchas melhoram. Por ser uma condição crônica, ele pode voltar após o tratamento, e nenhum desses ativos funciona isoladamente sem uma fotoproteção rigorosa. Como ele é diretamente estimulado pela radiação ultravioleta e também pela luz visível emitida por telas e lâmpadas, o uso de protetor solar todos os dias é imprescindível, inclusive nos dias nublados.

“O importante é saber que nenhum tratamento é milagroso e nenhum garante a melhora total do melasma. Nunca sabemos até que ponto ele vai melhorar, e a tendência é que, mantendo o tratamento, o resultado seja cada vez melhor. A maioria dos pacientes fica muito satisfeita, mas nenhum profissional pode afirmar com certeza que o melasma será eliminado. A mancha pode até sumir 100%, mas, se a pessoa abusar do sol e parar o protetor, ela está ali, escondida, e vai voltar”, acrescenta Dalboni.

  • Fonte: CNN Brasil
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