Juros futuros caem com baixa no petróleo e cenário eleitoral no radar
Economia

Juros futuros caem com baixa no petróleo e cenário eleitoral no radar

  • 22/09/2026 15:51
  • Redação

As taxas dos DIs fecharam a terça-feira (22) com baixas, refletindo o recuo do petróleo no exterior em meio à expectativa de que as negociações entre EUA ​e Irã possam avançar, enquanto no Brasil a disputa presidencial e a ata do último encontro ​do Copom também influenciaram os negócios.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,475%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,528% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,95%, com queda de 8 pontos-base ante 14,028%.

Na noite de segunda-feira (21), uma nova pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 42% das intenções de voto na simulação de segundo turno, contra 41% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão em empate técnico na disputa pelo Planalto. Na semana anterior, Flávio tinha ⁠os mesmos 42% e Lula somava 40%.

Dois profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram ​que, embora persista o empate técnico na pesquisa Quaest, o fato de a vantagem numérica de Flávio no segundo turno ter diminuído foi mal-recebido.

​Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, ⁠da inflação.

Em função disso, as taxas dos DIs sustentaram ganhos durante boa parte da ⁠manhã, ainda que no exterior os rendimentos dos Treasuries e o petróleo estivessem em baixa em meio à esperança de que EUA ​e ‌Irã possam chegar a um acordo.

Na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar em um acordo com o Irã apenas depois ⁠das eleições legislativas norte-americanas, em novembro. Ao mesmo tempo, afirmou que pode “aniquilar a República Islâmica” se um acordo de paz não for alcançado.

Após o discurso, Trump disse a repórteres que autoridades dos dois países tiveram uma reunião “muito boa”, de três horas, nesta terça-feira.

“Trump deu declarações um pouco mais otimistas em relação ao Irã, e isso ajudou a reduzir o preço do petróleo”, ‌comentou à ⁠tarde o estrategista-chefe e sócio ‌da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, para quem o cenário externo ajudou a conduzir as taxas dos DIs para o território negativo.

Após marcar a máxima de 14,085% (+6 pontos-base) às 9h21, ainda na primeira meia hora do dia, a taxa do DI para janeiro de 2035 perdeu força durante a tarde e atingiu a mínima de 13,95% (-8 pontos-base) no encerramento da sessão ⁠regular, quando o petróleo Brent oscilava abaixo dos US$ 99 o barril.

Mais cedo, os investidores também digeriram ⁠a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que defendeu a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, diante da pressão da demanda, ainda que se observe um arrefecimento da ‌atividade econômica, do crédito e da inflação.

“Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, afirmou o BC no documento.

Para o economista Carlos Lopes, do banco BV, o cenário para o próximo encontro do Copom segue “completamente aberto”.

“O Banco Central aguarda principalmente o cenário eleitoral, mas também a evolução no quadro internacional, política de juros americana para tomar a próxima decisão. Então, acho que a estratégia ‌do Banco Central é justamente aguardar o que acontece no cenário internacional, o que acontece aqui com o resultado da eleição, para na próxima reunião decidir se segue cortando ou não”, avaliou.

A próxima reunião do Copom ocorrerá no início de novembro, já após o segundo turno da eleição presidencial.

Na avaliação de Rostagno, da EPS Investimentos, a ⁠eleição gera um cenário binário: se Flávio vencer, o mercado tende a reagir positivamente e aumentam as chances de mais dois cortes de 25 pontos-base da Selic ainda em 2026; se Lula vencer, a reação do mercado será negativa, e o próprio BC tende a ser mais cauteloso em relação a cortes de juros.

No fim da manhã, em seu leilão ​regular, o Tesouro vendeu ao mercado 1,95 milhão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs), títulos indexados à inflação, e 750 mil LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), que acompanham a Selic.

Mais ​cedo, a Receita Federal informou que a arrecadação do governo federal teve alta real (descontada a inflação) de 8,25% em agosto sobre igual mês do ano anterior, para R$ 235,566 bilhões.

À tarde, a SPE (Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda) reduziu sua projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, de 2,3% para 2,0%, e para 2027, de 2,5% para 2,3%.

No exterior, às 16h37 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões ‌de investimento – caía 2 pontos-base, a 4,939%.

 

  • Fonte: CNN Brasil
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