Crescimento de 2% para o Brasil em 2026 ainda é otimista, diz Salto
- 22/09/2026 16:39
- Redação
SaltoO Ministério da Fazenda reduziu para 2% a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para o ano corrente, segundo o boletim Macrofiscal divulgado nesta terça-feira (22). Na edição anterior, de julho, a estimativa era de crescimento de 2,3%.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren e ex-Secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, ressaltou que a revisão das projeções era esperada.
“O governo é sempre um pouco mais lento para incorporar um cenário que o mercado já indica. Isso costuma acontecer sempre”, afirmou.
Segundo ele, os dados de atividade econômica, incluindo o PIB dos trimestres anteriores e o IBC-Br — indicador de atividade do Banco Central que funciona como prévia da economia oficial —, já vinham sinalizando desaceleração desde meados de 2025. Salto apontou que esse movimento reflete uma política monetária operando com taxa real de juros bastante superior à chamada taxa neutra, tornando-a contracionista.
Porém, Salto ponderou que a projeção de 2% pode ainda estar otimista. “Vai ser preciso acompanhar os setores de atividade, a indústria, os serviços e o agronegócio até o final do ano para avaliar esse desempenho”, disse.
Ele acrescentou que o contexto aponta para uma atividade ainda mais fraca em 2027, ano em que as expectativas do mercado estarão voltadas para a composição do ajuste fiscal que o governo deverá anunciar.
Questionado sobre por que a inflação não converge mais rapidamente para a meta, mesmo com a economia desacelerando, Salto listou uma série de fatores.
No cenário internacional, destacou as mudanças de preços relativos decorrentes da alta do petróleo, provocada por choques de oferta negativos associados aos conflitos no Oriente Médio, além da elevação dos juros norte-americanos após a última decisão do Federal Reserve.
“Quando os juros lá fora ficam mais altos, isso também coloca dificuldades para o Banco Central brasileiro”, explicou.
No plano doméstico, Salto apontou a pressão de demanda originada no gasto público como fator relevante. Segundo ele, o crescimento do gasto público acumulado no ano, comparado ao mesmo período do ano anterior, está em torno de 5% acima da inflação, “rodando num ritmo acima da economia”.
Ele ressaltou, no entanto, que a inflação não está descontrolada e que a alta dos preços acumulada em quatro anos é a menor desde o Plano Real.
Sobre o reajuste de 15% no Bolsa Família anunciado na semana anterior, Salto avaliou o tema sob duas dimensões. Do ponto de vista legal, afirmou que o reajuste de 15,04% recompõe a inflação e está alinhado ao artigo 73 da lei eleitoral, que permite esse tipo de concessão desde que limitado à recomposição pela perda inflacionária, sem criação de novos benefícios.
Também considerou o reajuste compatível com a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma vez que o governo anunciou remanejamentos de fontes orçamentárias para cobrir os três meses de benefício reajustado.
Já sob a perspectiva fiscal, Salto alertou para os efeitos no orçamento. “Nesse ano vai ter um efeito de quase R$ 6 bilhões — R$ 5,8 bilhões — no orçamento, e no ano que vem um efeito que nós calculamos aqui na Warren de R$ 23,2 bilhões”, detalhou.
Ele destacou que esses valores não são desprezíveis, especialmente para 2026, ano em que o governo tem como meta fiscal um superávit de 0,5% do PIB.
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