Cães-selvagens estabelecem recorde ao percorrerem quase 4 mil quilômetros em busca de parceiras
- 22/09/2026 10:07
- Redação
A jornada de um grupo de cães-selvagens-africanos (Lycaon pictus) em busca de parceiras na Zâmbia mostrou um dado surpreendente envolvendo essa espécie. Os animais percorreram quase quatro mil quilômetros, batendo um recorde de maior distância registrada por um mamífero terrestre africano em busca de acasalamento.
Os dados foram publicados pela revista científica Ecology. O monitoramento foi realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Montana, do Departamento de Parques Nacionais e Vida Selvagem da Zâmbia e de outras instituições. As coleiras que registraram movimentos foram instaladas nesses animais em julho de 2025.
O grupo era formado por quatro fêmeas e três machos da mesma espécie, que deixaram o parque de preservação local em dois grupos diferentes ao longo de duas semanas. As fêmeas ficaram em uma região de manejo de vida selvagem próximo ao parque, enquanto os machos partiram em direção ao centro do país.
Houve um encontro entre esses três machos em setembro de 2025, depois de percorrerem mais de 965 quilômetros em relação ao ponto de partida, mas essa interação durou apenas um dia. Em seguida, eles continuaram em busca de parceiras.
Scott Creel, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade Estadual de Montana, explicou que esses animais ficam muito focados no que diz respeito ao acasalamento e reprodução. “Eles estão em busca de uma oportunidade, e precisam continuar procurando até encontrá-la. Isso realmente se transforma em uma odisseia”, afirmou ele à Science.
Os cães-selvagens-africanos vivem em matilhas altamente sociais e seus integrantes auxiliam na criação dos filhos como um todo. O acasalamento, no entanto, fica reservado para um macho e uma fêmea dominantes, por isso existe essa busca por parceiros.
Cão-selvagem-africano é um dos grandes caçadores do continente • MagnificOs machos conseguiram passar ilesos pela jornada, mas as fêmeas deixaram de ser monitoradas após suas coleiras pararem de funcionar. O estudo sugere que uma delas tenha ficado presa em uma armadilha de arame instalada por humanos. Uma semana depois, o mesmo ocorreu com a outra cadela.
Creel afirma que as atividades humanas são a maior ameaça das cães selvagens da África neste momento. De acordo com Fundo Africano para a Conservação da Vida Selvagem, atualmente, há cerca de 6 mil indivíduos dessa espécie, que sofre com a perda e fragmentação de habitat, doenças infecciosas e conflitos com seres humanos.
Em meio a isso, os machos seguiram por sua busca. O percurso, que em linha reta teria 418 quilômetros, chegou a quatro mil quilômetros devido aos zigue-zagues feitos pelos animais.
O deslocamento mostra que eles dependem de natureza preservada para que essas conexões entre as espécies continue existindo, segundo aponta Matt Becker, diretor executivo do Programa de Carnívoros da Zâmbia.
“As jornadas extraordinárias dos dois grupos mostram que ainda existem conexões naturais entre os principais refúgios da vida selvagem africana”, disse ele ao jornal Guardian.