Ludfor compra fatia de 6% em projeto hidrelétrico no Rio Grande do Sul
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Ludfor compra fatia de 6% em projeto hidrelétrico no Rio Grande do Sul

  • 22/09/2026 10:04
  • Redação

A Ludfor adquiriu uma participação de 6% na sociedade de propósito específico responsável pela construção da hidrelétrica Foz do Prata, no Rio Grande do Sul. O investimento da companhia deverá ficar entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões, dependendo da variação dos custos de implantação do empreendimento.

Com investimento total estimado em R$ 420 milhões, a hidrelétrica será construída no Rio da Prata, na divisa entre os municípios de Veranópolis e Nova Roma do Sul, na Serra Gaúcha. A usina terá 49,36 megawatts (MW) de potência instalada e início da operação comercial previsto para janeiro de 2030.

Um dos principais atrativos para a Ludfor é a previsibilidade de receita. A energia da usina já foi comercializada no mercado regulado no Leilão de Energia Nova A-5 realizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2025. Os contratos terão duração de 20 anos, entre 2030 e 2049.

A operação reforça uma entrada da Ludfor na geração com receita regulada, complementando a atuação tradicional da empresa no mercado livre de energia. A estratégia é conduzida pela Origem Hidro Participações, holding do grupo dedicada à aquisição e à gestão de ativos de geração hidrelétrica.

Segundo o diretor financeiro da Ludfor, André Passari, o grupo normalmente entra nos projetos em associação com outros investidores, como forma de dividir os riscos de construção e operação.

“Uma das características é que o PPA [contrato de longo prazo] foi bom. Saímos vencedores em duas usinas, Forquilha 2 e Itararé, com outro sócio. Logo depois, a permissionária Creral nos convidou para participar de Foz do Prata por ser um projeto grande”, afirma Passari.

A maior acionista individual da Foz do Prata é a Cooperativa Regional de Eletrificação Rural do Alto Uruguai (Creral), que detém 38% do empreendimento. Dentro do grupo de sócios, apenas a Creral e a Ludfor possuem atuação direta no setor de energia.

O projeto encontra-se atualmente na etapa de negociação fundiária com as famílias afetadas pela área de influência do futuro reservatório. A expectativa é que a instalação do canteiro de obras tenha início em 2027. O reservatório deverá ocupar aproximadamente 120 hectares e, segundo estimativas do empreendimento, a produção da usina será suficiente para atender ao consumo equivalente de cerca de 114 mil residências.

A entrada em Foz do Prata integra uma nova fase da estratégia de geração da Ludfor. O grupo começou a investir em usinas há aproximadamente seis anos e atualmente possui 24 empreendimentos de pequeno e médio porte em operação.

A companhia também concluiu recentemente os investimentos na PCH Campo Belo, que aguarda a conexão ao sistema elétrico para iniciar a operação comercial. Depois desse ciclo, a Ludfor decidiu interromper novos aportes em usinas destinadas ao mercado livre e em projetos de geração distribuída solar para concentrar a expansão em empreendimentos vencedores de leilões regulados.

“O grupo sempre quis diversificar os negócios e ter um braço de geração que, daqui a 20 anos, estivesse mais resistente a possíveis oscilações regulatórias do mercado de prestação de serviços”, explica Passari.

O Leilão A-5 de 2025 contratou 65 empreendimentos hidrelétricos, que somam 815,5 MW de potência instalada e investimentos previstos de aproximadamente R$ 5,4 bilhões. O preço médio da energia negociada foi de R$ 392,84 por megawatt-hora, com deságio médio de apenas 3,16% em relação aos valores de referência.

O resultado assegurou contratos de longo prazo aos projetos, mas o patamar dos preços e o desconto reduzido em relação ao teto também provocaram questionamentos sobre os efeitos do certame para a modicidade tarifária. Para a Ludfor, porém, essa contratação representa justamente o principal racional do investimento: combinar a expansão do portfólio de geração com uma receita previsível e regulada durante duas décadas.

  • Fonte: CNN Brasil
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