Laudo aponta presença de fenol nas roupas de aluno de aviação morto no PR
- 21/09/2026 12:52
- Redação
Um laudo da Polícia Científica do Paraná identificou a presença de fenol nas roupas de Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, aluno de aviação que morreu após participar de um ritual de “banho de óleo” em Ponta Grossa, na região central do estado.
O documento, obtido pela CNN Brasil nesta segunda-feira (21), apontou que as vestimentas estavam completamente embebecidas por uma solução aquosa de fenol.
A substância foi identificada após a análise do material retirado das roupas por meio de técnicas que permitem separar e identificar os diferentes componentes de uma mistura.
O fenol é uma substância tóxica e corrosiva e pode ser rapidamente absorvido pela pele e pelas vias respiratórias. Os sinais e sintomas da exposição aguda a altas concentrações incluem arritmias cardíacas, respiração irregular, fraqueza muscular, perda da coordenação, convulsões e coma.
A perícia também analisou o líquido encontrado em uma garrafa apreendida durante a investigação. De acordo com o documento, o recipiente continha um líquido viscoso de coloração castanho-escuro e esverdeado.
A substância encontrada na garrafa não é compatível com o material identificado nas roupas de Gustavo e trata-se de uma mistura complexa de fenol e hidrocarbonetos (lineares, ramificados e aromáticos), compatível com derivados de petróleo.
O perito registrou que a solução havia impregnado toda a extensão das vestimentas da vítima. As características das lesões descritas no laudo de necropsia, segundo a perícia, são compatíveis com a exposição ao fenol.
O exame, no entanto, não conseguiu determinar se houve adulteração ou contaminação do produto.
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Segundo a polícia, o “banho de óleo” é uma celebração tradicional entre pilotos, realizada para marcar a conclusão da formação e o primeiro voo solo.
No dia 16 de julho, Gustavo participou do ritual e foi coberto por uma substância oleosa, conhecida por fazer parte dos motores de aeronaves. O aluno passou mal logo em seguida e foi socorrido ainda na escola de aviação. Ele foi levado pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel Urgente) a um hospital, mas não resistiu.
Segundo a Polícia Civil, testemunhas relataram que o instrutor de Gustavo despejou a substância sobre ele. O próprio instrutor confirmou ter realizado o ato durante o depoimento.
“Não ficou claro que o conduzido (instrutor) teve dolo, a intenção de matar a vítima, que inclusive era seu amigo e instrutor de voo”, disse o delegado Lucas Petry. O instrutor foi preso em flagrante por homicídio culposo e posteriormente liberado após o pagamento de fiança de R$ 3 mil.
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A investigação trabalha com duas hipóteses para explicar a morte. Uma delas é a de que Gustavo tenha sofrido uma reação alérgica severa e fatal ao produto.
A outra possibilidade considerada pela polícia é que a substância utilizada no ritual estivesse misturada a algum outro componente químico que teria provocado o quadro que levou à morte.