IA avança, mas dados ainda desafiam empresas
Economia

IA avança, mas dados ainda desafiam empresas

  • 21/09/2026 09:10
  • Redação

A inteligência artificial já faz parte da rotina das empresas. O desafio agora é conectá-la aos dados e processos que sustentam o negócio, com segurança, controle e resultados que possam ser medidos.

Esse foi um dos temas que marcaram o SAP NOW AI Tour Brazil 2026, realizado nos dias 9 e 10 de setembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Em sua 31ª edição, o encontro promovido pela SAP, empresa de tecnologia especializada em IA para gestão empresarial, recebeu mais de 4,2 mil pessoas, entre elas 3 mil clientes e 700 parceiros.

A programação teve mais de 300 sessões, com temas como Cloud ERP, Data & Analytics e Joule, além de aplicações para finanças, cadeia de suprimentos, recursos humanos e experiência do cliente.

 

Agentes entram nos processos de negócio

Um dos pontos centrais do encontro foi o avanço dos agentes de inteligência artificial. Diferentemente de ferramentas voltadas a usos isolados, esses sistemas podem atuar conectados a dados, aplicações e processos corporativos.

A proposta faz parte da visão de Autonomous Enterprise apresentada pela SAP, na qual pessoas continuam responsáveis pela estratégia, prioridades e decisões que exigem julgamento, enquanto a IA atua na execução e coordenação de determinadas tarefas.

Para incorporar agentes à operação, as empresas precisam definir quais informações eles podem acessar, quais ações estão autorizados a realizar e em quais situações uma pessoa deve intervir. Segurança, privacidade e governança fazem parte dessa estrutura.

O tema ganhou uma demonstração prática no Agent Lab, espaço com dez estações equipadas com Joule Studio 2.0. Com apoio de especialistas da SAP, os participantes puderam experimentar a criação de agentes a partir de instruções em linguagem natural. Nesse laboratório, os participantes conseguiram criar, em 30 minutos, agentes que em um processo normal demorariam por volta de 4 meses para ficarem prontos.

“Estamos entrando em uma fase na qual a inteligência artificial deixa de atuar apenas em casos isolados e passa a participar de processos completos, com contexto, integração e governança. Na Autonomous Enterprise, as pessoas definem a direção e a IA amplia a capacidade de execução da organização. O SAP NOW mostra esse futuro de forma concreta, por meio de experiências práticas, casos de clientes e agentes aplicados a desafios reais dos negócios”, comenta Rui Botelho, CEO da SAP Brasil.

 

Dados ainda limitam o potencial da IA

O avanço da IA também esbarra em um desafio conhecido: a qualidade dos dados.

O estudo The Value of AI: Brazil 2026, produzido pela SAP em parceria com a Oxford Economics e apresentado durante o evento, ouviu 2.600 líderes de negócios em 13 países, incluindo 200 no Brasil.

No país, o investimento médio em IA chegou a US$ 20,8 milhões em 2026, ante US$ 14,2 milhões no levantamento anterior, e deve crescer 46% nos próximos dois anos. O retorno médio passou de 16% para 19%, equivalente a US$ 5,5 milhões.

Ao mesmo tempo, 75% das empresas brasileiras apontam a qualidade ou a disponibilidade dos dados entre os fatores que dificultam ampliar o retorno dos projetos.

Atualmente, 26% das tarefas já contam com apoio de IA, proporção que deve chegar a 44% em dois anos. Apenas 18% das empresas, porém, adotam a tecnologia de maneira estratégica e integrada.

Além disso, 80% relatam ter enfrentado, ao menos ocasionalmente, respostas de baixa qualidade geradas pela IA, com consequências como retrabalho, atrasos ou acúmulo de demandas.

 

Capacitação acompanha avanço da IA

A incorporação da IA aos negócios também exige capacitação. Segundo o estudo, 65% das empresas brasileiras apontam a falta de habilidades ou conhecimento especializado entre os fatores que limitam a geração de valor com a tecnologia.

Apenas 12% afirmam estar totalmente preparadas, em termos de habilidades, para governar IA, enquanto 15% consideram seus processos e estruturas prontos para essa tarefa.

 

IA chega a outras áreas

As aplicações apresentadas durante o encontro mostraram que os agentes também podem atuar fora das áreas administrativas.

Um exemplo veio da São Paulo Escola de Dança, que desenvolve com a SAP e a Associação Pró-Dança um projeto de inteligência artificial para apoiar diferentes etapas da criação coreográfica e da preparação de uma peça de balé.

A ferramenta permite trabalhar com movimentos, ensaios e adaptação da coreografia a diferentes palcos e formações de bailarinos. Textos e desenhos produzidos pelos artistas dão contexto ao sistema e permitem testar possibilidades sem substituir as decisões do coreógrafo ou a interpretação dos bailarinos.

“A CNN Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo deste publieditorial e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação”.
  • Fonte: CNN Brasil
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