BC deve manter corte de juros em ciclo conservador, diz economista
Economia

BC deve manter corte de juros em ciclo conservador, diz economista

  • 20/09/2026 06:00
  • Redação

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central voltou a cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic ao patamar de 13,75%. A decisão foi unânime e representa o quinto corte consecutivo de mesma magnitude desde março.

A economista-chefe do Andbank Brasil, Silvia Ludmer, avaliou que o Banco Central deve continuar com o que ela denomina de “ciclo de calibragem” da taxa de juros. Segundo ela, trata-se do ciclo mais conservador e gradual desde pelo menos 2003. “Ele está se movendo bem devagar”, afirmou.

Apesar de a inflação corrente apresentar componentes mais benignos no período, Ludmer destacou que as expectativas inflacionárias continuam se deteriorando. Desde março, quando o Banco Central iniciou os cortes, o consenso do IPCA no relatório Focus para o ano corrente passou de 4,10% para 4,9%.

Para o ano seguinte, a projeção saiu de 3,8% para 4,3%, e para 2028 avançou de 3,5% para 3,80%. “Os economistas continuam preocupados com a trajetória da inflação para frente e esses números estão se afastando do centro da meta”, disse a economista.

Ludmer apontou ainda que, mesmo reconhecendo riscos assimétricos de alta para o IPCA, o Banco Central não sinalizou qualquer intenção de interromper o ciclo de cortes. Para ela, a instituição parece adotar uma postura “um pouco mais flexível” e “mais tolerante com a inflação mais alta”.

Fatores de risco para o ciclo de cortes

Entre os elementos que poderiam interromper as reduções, Ludmer citou a proximidade das eleições e um eventual estresse cambial na sequência do resultado eleitoral. “Se a eleição trouxer uma piora da taxa de câmbio, isso pode ser talvez um alerta maior para o Banco Central no sentido de ter que interromper o ciclo”, explicou.

A economista também mencionou a possibilidade de as expectativas inflacionárias continuarem subindo de forma acentuada, além de fatores como a PEC 6×1, a reforma tributária e o El Niño como riscos altistas para o IPCA no próximo ano.

Outro ponto de atenção levantado por Ludmer é o cenário externo. Enquanto o Brasil segue cortando juros, bancos centrais de países avançados estão elevando suas taxas. O banco central americano e o europeu já sinalizaram movimentos de alta, e o do Japão deve seguir o mesmo caminho.

O banco central do Reino Unido manteve a taxa estável, mas deu sinais de que poderá voltar a subir. “O Brasil está indo meio que numa contramão”, observou a economista, alertando que esse contexto pode gerar pressão sobre o real e, consequentemente, mais pressão inflacionária no país.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
  • Fonte: CNN Brasil
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@nortaonoticias.com.br

Compartilhar: