Eleição na Rússia chega ao último dia e testa apoio à guerra da Ucrânia
- 20/09/2026 00:47
- Redação
As eleições parlamentares, que o presidente Vladimir Putin classificou como um teste de apoio à guerra da Rússia na Ucrânia, entraram em seu terceiro e último dia neste domingo (20), com a expectativa de que o partido governista Rússia Unida mantenha sua dominância em um sistema político que, segundo críticos, não tolera dissidência.
A votação na Duma Estatal, a primeira desde que a Rússia iniciou sua guerra em grande escala na Ucrânia em fevereiro de 2022, provavelmente será apresentada pelo Kremlin como prova do apoio público às políticas de Putin e à guerra, o conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que já dura cinco anos e não dá sinais de terminar em breve.
A maioria dos candidatos pacifistas foi impedida de concorrer. Aqueles que se candidataram pelo partido liberal Yabloko, que obteve índices de aprovação de um dígito nos últimos anos, mas esperava capitalizar o cansaço da guerra, disseram temer por sua liberdade depois que os tribunais condenaram duas figuras importantes do partido a longas penas de prisão antes da votação por comentários sobre o conflito considerados ilegais pelas autoridades.
Desacreditar o exército ou divulgar o que as autoridades consideram notícias falsas é passível de longas penas de prisão na Rússia.
O Kremlin afirma que a unidade nacional e alguma censura são necessárias durante o que chama de operação militar especial na Ucrânia. O governo russo enquadra o conflito como parte de uma luta existencial contra um Ocidente hostil e alega que os serviços de inteligência ucranianos e outros inimigos estão intensificando os esforços para fomentar a instabilidade dentro da Rússia.
Na sexta-feira (18), Putin acusou a Ucrânia de tentar interferir nas eleições, citando o que ele disse ter sido um ataque ucraniano à casa de uma funcionária eleitoral na parte da região de Zaporizhzhia controlada pela Rússia, que resultou na morte de Elena Astanina, a funcionária. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente os detalhes do ataque e não houve comentários imediatos de Kiev.
Autoridades eleitorais russas também afirmaram no sábado (19) que um sistema de votação online em Moscou sofreu um ataque cibernético. Kiev, que suspendeu as eleições sob lei marcial, classificou a votação russa como uma “pseudoeleição”.
Apesar do que a maioria dos especialistas considera o resultado previsível das eleições, o think tank NEST, em Berlim, cofundado pelo crítico do Kremlin Mikhail Khodorkovsky, a quem as autoridades russas designaram como “agente estrangeiro”, afirmou que a votação ainda pode gerar momentos constrangedores para o Kremlin em um período de dificuldades econômicas.
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“As consequências da guerra estão sendo cada vez mais sentidas no país, e a ansiedade e frustração acumuladas podem se traduzir em votos para os partidos de oposição sistêmica que o Kremlin permitiu que permanecessem nas cédulas eleitorais”, dizia uma nota.
O texto afirma que o Partido Comunista e o Novo Partido Popular poderiam atrair votos que as autoridades prefeririam destinar ao Rússia Unida. Ambos os partidos têm votado consistentemente em consonância com o Rússia Unida em questões importantes.
Em um pronunciamento televisionado antes da eleição, Putin disse à nação que a votação reforçaria o apoio às tropas russas que lutam na Ucrânia.
“Sua escolha e sua vontade demonstrarão mais uma vez que milhões de pessoas apoiam nossos soldados, que somos um povo unido por valores compartilhados, memória histórica e amor pela nossa pátria, e que ninguém conseguirá nos dividir ou nos intimidar”, disse Putin.
Os primeiros resultados devem começar a surgir por volta das 15h no horário de Brasília de domingo.