Elefante Sandro em MT: como saber se um elefante está se adaptando ao Santuário? Presidente explica
- 18/09/2026 23:00
- Redação
Globo Repórter: Refauna - 11.09.2026 A chegada do elefante Sandro ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Mato Grosso, nesta sexta- feira (18), marca o início de um cuidadoso processo de adaptação após anos de debates judiciais.
O animal deixou o Zoológico de Sorocaba (SP) onde vivia e cuja transferência gerou manifestações contra para passar por uma transformação gradual no novo espaço.
Sandro chegou ao santuário por volta das 13h.
A saída da caixa ocorreu de forma espontânea, sem que o animal fosse forçado pelas equipes responsáveis pelo acompanhamento.
Assim que o recinto foi aberto, às 13h31, o elefante saiu em menos de um minuto, surpreendendo a todos.
Logo em seguida, o elefante imediatamente começou a brincar com a areia do local.
O comportamento foi registrado após Sandro concluir uma viagem de cerca de 1,6 mil quilômetros.
A transferência de um animal mantido durante anos em cativeiro restrito exige acompanhamento diário e paciência, segundo o SEB.
Elefante Sandro após a chegada em seu recinto em Chapada dos Guimarães (MT) Victoria Oliveira/g1 Ao g1, o presidente do SEB, Raphael Bontempi, explicou quais são os principais indicadores de que um elefante começou a se integrar ao ambiente: Mudança drástica na cor da pele Segundo o presidente, o primeiro sinal visível de adaptação acontece logo nos primeiros dias de convivência com a natureza.
Ao contrário dos recintos de cativeiro urbano, o espaço no santuário oferece terra, lama, árvores e vegetação variada, o que altera a aparência do animal quase imediatamente. "Primeiro que eles chegam lá, a cor deles muda.
Muda porque se sujam de forma diferente.
Eles jogam barro, jogam terra, passam em árvore, então você tem uma mudança drástica.
Você vê de cara assim: de um dia para o outro, a cor dele já é outra", pontua Raphael.
Afloramento da curiosidade e autonomia Para Raphael, a exploração do espaço e a busca voluntária por novos estímulos são os indícios mais claros de bem-estar psicológico.
Ele reforça que, em recintos pequenos, os animais costumam apresentar apatia decorrente do tédio e da falta de opções. "Antes ele ficava dentro de um recinto que não tinha nada, tinha meia dúzia de capim, 600 metros quadrados...
Qual era a interação?
Ele só tinha tédio.
Quando ele vai para o ambiente onde consegue ter acesso a terra, lago, árvores, um monte de vegetação e cheiros diferentes, você começa a ver comportamentos mais independentes", explica.
Raphael destaca que a evolução da adaptação é percebida à medida que o elefante se distancia dos cuidadores e passa a explorar áreas mais isoladas do recinto. "Você começa a ver cada vez mais longe, mais curioso, vem menos para perto da gente e a gente vai demandando cada vez mais autonomia para que ele possa desenvolver o comportamento típico", ressalta o presidente do SEB.
Redução de comportamentos repetitivos Outro ponto crucial acompanhado pela equipe técnica é a diminuição das chamadas estereotipias, os movimentos repetitivos comuns em animais mantidos em cativeiro restrito, como balançar a cabeça continuamente ou andar em círculos. "Esse negócio repetitivo é fruto de tédio.
Imagina você trancada num banheiro a vida inteira: você começa a bater a cabeça na parede, começa a ficar louco.
É uma coisa muito similar ao que acontece com eles por ficarem em cativeiro.
Quando chegam lá, com o tempo, reduz muito esses comportamentos", compara Raphael.
Readequação do manejo e perfil individual Segundo o presidente, o acompanhamento também desmistifica rótulos de agressividade atribuídos a alguns indivíduos antes da transferência.
A mudança de ambiente e o manejo focado no respeito ao tempo de cada animal revelam traços de personalidade que ficavam encobertos pelo estresse. "Tinha elefantes lá que o pessoal falava: 'ela briga, ela é agressiva'.
Aí chegava no santuário, era a mais doce possível.
O ponto é que eles estão em locais inadequados.
A gente tem que observar o comportamento do indivíduo e entendê-lo com calma, dia a dia, paulatinamente mudando o protocolo e dando mais autonomia", conclui.
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Apesar de dividir a propriedade com elas, Sandro ficará em um espaço separado.
A estrutura permite que os animais se vejam, sintam o cheiro uns dos outros e se comuniquem por meio de vocalizações, mas sem contato direto.
Segundo o Santuário, a separação leva em consideração o comportamento natural da espécie e também a política de não reprodução adotada pela instituição.
Transferência Crianças seguem caminhão de transporte do elefante Sandro em MT Antes de ter a transferência aprovada para Mato Grosso, Sandro passou boa parte da vida em cativeiro.
Ele viveu em um circo e, posteriormente, foi levado para o Zoológico de Sorocaba (SP).
No zoológico, dividiu o recinto durante anos com a elefanta Haisa.
Com a morte da companheira, há cerca de seis anos, Sandro passou a viver completamente sozinho.
Segundo Raphael, embora já tenha convivido com outros animais da mesma espécie no passado, esta será a primeira vez que ele estará em um ambiente com tantas fêmeas por perto.
Segundo ele, a expectativa da equipe do santuário é que Sandro desenvolva gradualmente maior autonomia no novo espaço, que conta com vegetação variada, terra, árvores e lago.
O tratador Sergio Domingues e o elefante Sandro no zoo de Sorocaba (SP) Eric Mantuan / g1