Conhecida como 'capital do agro', Sorriso (MT) perde posto de cidade mais rica do setor após 6 anos; conheça a nova líder
- 17/09/2026 09:00
- Redação
Agora no g1 Sorriso, em Mato Grosso, conhecida como a “capital do agro”, não é mais o município brasileiro com o maior valor de produção agrícola.
Depois de seis anos no topo, a cidade terminou 2025 na 3ª posição, atrás da nova líder, Sapezal (MT), e de São Desidério (BA).
Os dados são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (17).
O levantamento mostra o valor gerado pelas principais lavouras de cada município ao longo do ano. ️ Tem alguma sugestão de reportagem?
Mande para o g1 A Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) é o levantamento anual do IBGE que mapeia o desempenho do campo em todos os municípios do país, acompanhando indicadores de área plantada, volume colhido (em toneladas), produtividade e faturamento.
Para definir o ranking geral das cidades mais ricas do setor, o instituto multiplica a quantidade colhida pelo preço médio pago aos agricultores, chegando ao valor da produção agrícola.
Em Sapezal, o resultado foi puxado principalmente pelo algodão, que sozinho respondeu por quase 60% de todo o valor produzido no município.
Em Sorriso, a soja foi o principal motor.
Já em São Desidério, algodão e soja tiveram forte peso na composição do valor agrícola.
Veja abaixo o ranking por valor da produção: PAM 2025 g1 Por que Sorriso saiu do topo?
A mudança no topo do agro nacional não significa que Sorriso tenha deixado de ser uma potência agrícola.
O que mudou foi a combinação entre o desempenho das lavouras e uma alteração no território considerado no cálculo dos dados agrícolas do município.
Uma das principais mudanças ocorreu com a criação de uma nova cidade: Boa Esperança do Norte (MT), que passou a ser contabilizada como município separado nas estatísticas do IBGE a partir de 2025.
O novo município foi formado por áreas que antes pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã.
Do território de Boa Esperança do Norte, 20% vieram de Sorriso e 80% de Nova Ubiratã.
A mudança alterou a área agrícola atribuída aos municípios.
Em Sorriso, a área plantada total caiu 9,3% em 2025.
A área de soja recuou 8,3%, a de milho, 10%, e a de algodão, 19,7%.
Isso não significa, porém, que a produção agrícola de Sorriso tenha despencado.
O valor da produção de soja cresceu 21,6%, para R$ 4,05 bilhões, e o município continuou na liderança nacional em valor da produção de milho.
No algodão, houve queda de 1,6% no valor da produção e de 12,8% na quantidade colhida.
A nova capital do agro: Sapezal Sapezal no Mato Grosso Divulgação (Prefeitura de Sapezal) Localizada no oeste do estado, a cerca de 520 quilômetros de Cuiabá, Sapezal tem pouco mais de 32 mil habitantes e uma economia fortemente ligada à produção agrícola.
A ocupação da região ganhou força a partir das décadas de 1970 e 1980, durante a expansão da fronteira agrícola de Mato Grosso.
Muitos dos produtores que chegaram ao município vieram da Região Sul do país.
O núcleo urbano de Sapezal começou a se consolidar no fim dos anos 1980, com a abertura da MT-235 e um projeto de colonização ligado ao empresário André Antônio Maggi, da família que deu origem ao Grupo Amaggi.
O município foi criado oficialmente em 1994, quando se emancipou de Campo Novo do Parecis.
Dois anos depois, Maggi foi eleito o primeiro prefeito da cidade.
Desde então, Sapezal se consolidou como um dos principais polos agrícolas do país, especialmente na produção de soja, milho e algodão.
O 'combo' que levou Sapezal ao topo O resultado de 2025 veio principalmente do desempenho destas três culturas: O algodão herbáceo foi o principal produto, com R$ 5,12 bilhões em valor de produção, alta de 42,8% em um ano.
A cidade colheu cerca de 1,2 milhão de toneladas.
A soja apareceu em seguida, com R$ 2,80 bilhões, avanço de 51,4%.
Já o milho gerou R$ 656,9 milhões, alta de 58,1%.
A combinação de grandes áreas cultivadas, produção em escala e forte presença de máquinas no campo ajuda a explicar o peso da agricultura na economia local.
O algodão, em particular, é uma das marcas da agricultura de Sapezal.
O município aparece há anos entre os maiores produtores brasileiros e já foi apontado pelo IBGE como o maior produtor nacional de algodão herbáceo.
A mudança no mapa também mexeu com outros municípios A criação de Boa Esperança do Norte também alterou o desempenho de outros municípios no ranking.
Boa Esperança do Norte já aparece em 25º lugar entre os municípios brasileiros em valor da produção agrícola, com R$ 1,7 bilhão apenas em soja, além de R$ 952,8 milhões em milho e R$ 295,2 milhões em algodão.
Já Nova Ubiratã perdeu uma parcela significativa de seu território agrícola.
Como cerca de 80% da área de Boa Esperança do Norte veio do município, sua área plantada caiu 42,9%.
A área destinada à soja e ao milho recuou 43,9%, e Nova Ubiratã passou da 8ª para a 20ª posição no ranking nacional.
Raio X da produção agrícola brasileira em 2025 Faturamento recorde: o valor total da produção agrícola do Brasil atingiu R$ 927,2 bilhões, um avanço de 18,4% em relação a 2024.
Safra histórica de grãos: o país colheu 345,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas (+18,2%), o maior volume já registrado na série histórica do IBGE.
Área cultivada: a área colhida total no país chegou a 101,3 milhões de hectares (+4,2%).
Soja (líder nacional): a colheita somou 165,3 milhões de toneladas, gerando R$ 315,2 bilhões (34% de toda a receita agrícola do país).
Milho (recorde de volume): a produção alcançou 141,2 milhões de toneladas (+23,1%), movimentando R$ 122,1 bilhões no campo.
Juntos, soja e milho responderam por 88,7% de toda a produção de grãos do Brasil.
Estado campeão (Mato Grosso): gerou sozinho R$ 165,6 bilhões (+37,1%), concentrando 17,9% de toda a riqueza agrícola nacional. ️ Região líder (Centro-Oeste): movimentou R$ 288,0 bilhões (+31,8%), assumindo o 1º lugar do país e ultrapassando o Sudeste (R$ 271,0 bilhões).
Peso do top 10: as 10 maiores cidades agrícolas somam juntas R$ 65,9 bilhões, o equivalente a 7,1% de todo o faturamento do setor.