Justiça nega exame psiquiátrico a mulher investigada por morte de sogra em MT
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Justiça nega exame psiquiátrico a mulher investigada por morte de sogra em MT

  • 31/08/2026 17:34
  • Redação

Nora diz que matou sogra após marido ameaçar deixá-la e se arrepende A Justiça de Mato Grosso negou o pedido de perícia psiquiátrica para Alessandra do Nascimento Gonçalves, investigada pela morte da sogra Maria Aparecida da Silva, de 53 anos, em Porto Alegre do Norte, a 1.125 km de Cuiabá.

Na decisão, o juiz Nelson Luiz Pereira Júnior afirmou não haver elementos concretos que levantem dúvidas sobre a sanidade mental da mulher.

A defesa havia solicitado a abertura de um incidente de insanidade mental, alegando dúvidas sobre a condição psicológica de Alessandra tanto no momento do crime quanto atualmente.

Em depoimento à Polícia Civil, Alessandra disse que o marido ameaçava terminar o relacionamento.

Segundo ela, acreditava que, se algo acontecesse com a sogra enquanto ela estivesse ao lado do marido, demonstrando apoio, ele não terminaria o relacionamento.

A Defensoria também citou relatos de testemunhas sobre consultas psicológicas e psiquiátricas anteriores e episódios de descontrole emocional no ambiente doméstico.

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) se manifestou contra a realização da perícia.

Para o órgão, não havia elementos suficientes que colocassem em dúvida a sanidade da investigada.

O MP também apontou que não foram apresentados documentos médicos que comprovassem histórico de transtorno mental.

Na decisão, o juiz afirmou que não encontrou elementos concretos que justificassem a realização do exame.

Conforme o magistrado, Alessandra declarou nunca ter sido internada em clínicas ou hospitais psiquiátricos e, durante a audiência de custódia, não foram identificados sinais aparentes de transtorno mental ou deficiência psicossocial que comprometessem sua capacidade de comunicação e compreensão.

O juiz também considerou o relato apresentado pela investigada durante o interrogatório policial.

Segundo a decisão, a narrativa descreve uma sequência de ações planejadas, desde a preparação até a execução do crime, sem indícios aparentes de perda do juízo crítico.

Conforme o relato registrado no inquérito, Alessandra teria ido voluntariamente até a casa da vítima, levando uma chave de acesso e um objeto utilizado para cometer o ataque.

Ela teria permanecido no local aguardando o momento para agir.

Para o magistrado, a motivação apresentada pela investigada, relacionada ao medo de perder o companheiro e à tentativa de mantê-lo por meio do luto, não demonstra, por si só, a existência de um transtorno mental que tenha retirado sua capacidade de compreender a ilegalidade dos atos.

A Justiça também considerou que as referências a consultas psicológicas anteriores e a episódios de descontrole emocional não são suficientes, isoladamente, para justificar uma perícia psiquiátrica.

Com isso, o pedido da Defensoria foi negado.

O juiz, no entanto, deixou aberta a possibilidade de uma nova análise caso sejam apresentados documentos médicos ou outros elementos concretos que indiquem dúvidas sobre a sanidade mental de Alessandra.

o caso Maria Aparecida da Silva, de 53 anos, foi encontrada morta dentro de uma casa em Confresa (MT) Reprodução/Redes Sociais Maria Aparecida foi morta por volta das 6h35 do último sábado (22).

Vizinhos acionaram a Polícia Militar após ouvirem gritos de socorro vindos da casa onde ela morava.

Segundo a Polícia Civil, quando os militares chegaram ao endereço, encontraram o portão trancado.

A equipe tentou contato com os moradores, mas não teve resposta e subiu no muro para verificar o que estava acontecendo.

Ao perceber a presença dos policiais, Alessandra abriu o portão e disse que havia ocorrido uma "tragédia" com a sogra.

Dentro da casa, os policiais encontraram Maria caída no chão, com grande quantidade de sangue ao redor do corpo.

Conforme a polícia, ela estava com um fio de extensão elétrica no pescoço e apresentava ferimentos provocados por um objeto contundente.

Um pedaço de madeira com sinais de sangue foi apreendido no local.

A causa da morte de Maria Aparecida foi estrangulamento, segundo conclusão da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

Maria Aparecida era ex-servidora pública municipal.

Após a morte, a Prefeitura de Confresa decretou luto oficial de três dias e publicou uma nota destacando os anos em que ela trabalhou no serviço público.

Alessandra do Nascimento Gonçalves, de 29 anos, durante depoimento Reprodução

  • Fonte: G1 Mato Grosso
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