Única pista, um nome em carta: estagiária da Polícia Civil reencontra mãe após 33 anos em MT
- 28/08/2026 10:32
- Redação
Aline Katsch e a mãe biológica, Rosa Maria de Araújo Reprodução Depois de 33 anos de espera, a estagiária da Polícia Civil de Mato Grosso Aline Katsch reencontrou a mãe biológica, Rosa Maria de Araújo, nesta quarta-feira (26), em Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá.
A localização foi possível após uma busca feita por policiais da Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (Denarc), a partir de uma única pista que Aline guardava desde a infância: o nome da mãe escrito em uma carta.
O encontro foi intermediado pela Polícia Civil e contou com o apoio da Delegacia da Mulher de Lucas do Rio Verde.
O momento foi compartilhado nas redes sociais pelo delegado Ronaldo Binotti, titular da Denarc.
Para Aline, a notícia de que a mãe havia sido localizada veio acompanhada de uma mistura de sentimentos.
Ela conta que já não tinha esperança de conseguir encontrá-la depois de tantos anos de procura. “Foi um misto de emoções...A barriga gelou, as lágrimas vieram.
Porque eu não estava com esperança de encontrá-la, sabe?
Afinal, foram 33 anos de busca sem resultados.
E quando finalmente descobrimos, a ficha caiu”, contou Aline.
Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsAp6 Agora no g1 Uma história que começou antes do nascimento A história de Aline começou ainda antes de ela nascer.
A mãe biológica e a mãe adotiva, Celita Katsch Müller, eram vizinhas e se conheciam.
Quando Rosa engravidou, Celita participou do processo de adoção.
Segundo Aline, todos os trâmites necessários na época foram realizados para formalizar a adoção.
Os pais adotivos também acompanharam e ajudaram durante a gestação.
Aline nasceu em 3 de março de 1993, no Hospital Regional de Sorriso, em Mato Grosso.
Depois do nascimento, voltou com a família para Lucas do Rio Verde e, posteriormente, mudou-se em definitivo para Cuiabá, onde cresceu.
Ela contou que teve uma infância feliz, estudou e trabalhou e, atualmente, cursa Direito.
A mãe biológica é Rosa Maria de Araújo.
A mãe adotiva é Celita Katsch Müller, e o pai adotivo, Eugênio Müller.
Aline Katsch com os pais adotivos, Celita Katsch Müller e Eugênio Müller Reprodução Uma carta guardada por 33 anos Durante todo esse tempo, Aline tinha como principal pista para encontrar Rosa apenas um nome escrito em uma carta.
Mesmo sem saber onde a mãe estava ou se ainda seria possível localizá-la, ela manteve a esperança. “Esperança, resiliência e fé foram os ensinamentos que a carta representou para mim”, afirmou Aline.
A partir dessa informação, policiais da Denarc fizeram pesquisas nos bancos de dados da Polícia Civil para tentar encontrar uma pessoa que correspondesse ao nome.
As buscas levaram a uma mulher que vivia em Lucas do Rio Verde.
Com o auxílio da Delegacia da Mulher do município, os policiais conseguiram confirmar a identidade de Rosa e estabelecer a ligação entre mãe e filha.
O tão esperado encontro Aline conta que foi para Lucas do Rio Verde imaginando que o reencontro seria emocionante, mas admite que também teve medo de que algo desse errado antes do momento de as duas ficarem frente a frente. “Fomos para lá com a expectativa de ser um grande encontro.
E foi melhor do que imaginamos.
Mas tive um receio de talvez ela desistir momentos antes.
Mas, graças a Deus, deu tudo certo”, disse.
Quando finalmente encontrou a mãe, Aline já pensava no que poderia fazer para diminuir a distância construída ao longo de mais de três décadas. “O primeiro pensamento foi de tentar recuperar o tempo perdido.
Agora que sei onde mora, e que é pertinho, vou manter o contato e visitá-la sempre que possível”, contou Aline. 'Recuperar o tempo perdido' O primeiro encontro não representa, para Aline, o fim da busca, mas o início de uma nova etapa.
Depois de descobrir onde a mãe mora e conhecer parte de sua história, ela espera transformar os próximos anos em uma oportunidade para construir a convivência que não foi possível durante a infância. “Espero recuperar o tempo perdido com ela.
Espero também poder conviver mais com todos da família.
E juntos estreitar os laços de família”, afirmou Aline.
Aline passou 33 anos carregando uma única pista sobre a própria origem.
Agora, o nome que durante tanto tempo esteve apenas em uma carta ganhou um rosto, uma história e a possibilidade de uma nova relação entre mãe e filha.