Degelo e seca avançam sobre Ásia Central e pequenos países insulares

Degelo e seca avançam sobre Ásia Central e pequenos países insulares

  • 26/08/2026 13:18
  • Redação


Dois relatórios lançados nesta quarta-feira (26) alertam que os pequenos países insulares em desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês) e a Ásia Central estão sofrendo pressões sem precedentes sobre recursos hídricos, saúde do solo e clima.

No total, são mais de 50 países e territórios afetados. As duas publicações foram apresentadas oficialmente na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que está sendo realizada em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.

Notícias relacionadas:Inundação repentina na fronteira entre Nepal e Tibete deixa 95 mortos.Pelo menos 14 bebês morrem em incêndio em hospital no Paquistão.COP17 entra em semana decisiva com missão de destravar financiamento.Os textos fazem parte do Global Land Outlook (GLO), principal publicação da convenção das Nações Unidas sobre a terra (UNCCD). O documento geral teve duas versões até agora, o GLO1 de 2017 e GLO2 de 2022, e seis relatórios regionais. Entre elas, o da América Latina. 

Ásia Central

A Ásia Central é formada por Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. A imagem de outros tempos, de estepes vastas e oásis férteis, está deixando de existir.

A região é considerada um dos epicentros mundiais da degradação do solo. Mais de 80 milhões de hectares, ou mais de um quarto, já estão degradados. O problema atinge 30% da população ou 24 milhões de pessoas. O cálculo da UNCCD é de que, a cada ano, essa degradação provoque perdas entre dois e seis bilhões de dólares. 

A Ásia Central também está aquecendo duas vezes mais do que a média global. As geleiras,  que antes eram as “torres de água” da região, encolheram 30% em apenas cinquenta anos.

Países insulares

Os SIDS incluem 39 países e 18 territórios no Caribe, oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, além do Mar do Sul da China. Cerca de 18,8 milhões de hectares de terra, ou 16,5% de sua área total combinada, estão degradados em diferentes graus, ligeiramente acima da média global.

Mais de 70%  deles enfrentam problemas de escassez de água e 43% da área total estão sendo afetados pela seca. Desses, 3% sofreram seca severa e 6% seca extrema. A área total afetada pela seca extrema aumentou 30% entre os períodos de 1961/1970 e 2014/2023.

Estima-se que 16,3 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar grave, com 11,5 milhões de pessoas subnutridas.

Estes países recebem cerca de US$ 2 bilhões em financiamento público para adaptação por ano, o que equivale a aproximadamente 0,2% do financiamento climático global total. Os pesquisadores estimam que os países precisarão de pelo menos US$ 11,7 bilhões anualmente para fins de adaptação, quase seis vezes o nível atual de financiamento.

A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, disse que apesar das diferenças, tanto Ásia Central como os SIDS mostram vulnerabilidades, mas ainda estão em situação possível de melhora.


“ A prioridade agora é acelerar esse progresso, ao investir na gestão responsável da terra, fortalecendo a cooperação regional e internacional e garantindo que as pessoas e os ecossistemas permaneçam no centro das decisões de desenvolvimento”, afirma Yasmine.


*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.
  • Fonte: Agência Brasil
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