Ar-condicionado no calor de Cuiabá: aparelho ligado 8 horas por dia pode acrescentar mais de R$ 200 à conta de luz

Ar-condicionado no calor de Cuiabá: aparelho ligado 8 horas por dia pode acrescentar mais de R$ 200 à conta de luz

  • 18/08/2026 16:41
  • Redação

Ar-condicionado: como reduzir gastos de uso sem abrir mão do conforto Diante do calor extremo e do ar seco, o ar-condicionado virou uma necessidade na rotina dos cuiabanos, mas o uso prolongado pode pesar no orçamento.

De acordo com especialistas ouvidos pelo g1, um aparelho de 1.000w ligado 8 horas por dia pode aumentar a fatura em cerca de R$ 213,60 ao fim do mês (

mais abaixo).

Nesta semana, a Defesa Civil de Cuiabá e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiram um alerta laranja devido à previsão de temperaturas de até 40°C e umidade relativa do ar abaixo de 20%, com índices de umidade que podem variar entre 12% e 20%.

Em dias de calor extremo em Cuiabá, o auxiliar administrativo Kaio Gabriel Del Santo Freitas, de 20 anos, contou que o uso contínuo do aparelho durante as tardes em trabalho remoto fazia os custos aumentarem significativamente.

Hoje, ele utiliza placas solares e vê a fatura variar entre R$ 90 e R$ 120. “Eu trabalhava em modelo remoto antes de ter o ar-condicionado, e dificultava muito.

Todo dia eu ficava com dor de cabeça e chegava a trabalhar na área externa para suportar o calor.

Com o uso do ar-condicionado, os gastos com energia chegaram entre R$ 800 e R$ 900 ao mês", relatou.

Como calcular o consumo do ar-condicionado Em um exemplo hipotético de um aparelho de 1.000 W utilizado durante oito horas por dia durante um mês, teria um consumo teórico de 240 kWh.

Considerando a tarifa média de R$ 0,89 por kWh informada pelaconcessionária Energisa, esse consumo corresponderia a aproximadamente R$ 213,60. 240 kWh × R$ 0,89 = R$ 213,60 O professor e pesquisador de engenharia elétrica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Danilo Ferreira de Souza, explicou que o cálculo começa pela potência do aparelho, informada pelo fabricante em watts (W), e pelo tempo de uso.

Segundo ele, é preciso converter a potência para quilowatts (kW) e multiplicá-la pelas horas de funcionamento e pelos dias de uso.

Potência (W) ÷ 1.000 × horas de uso por dia × dias de uso no mês = consumo estimado em kWh Para exemplificar, considera-se um quarto de 10 m² com um aparelho de aproximadamente 1.000 W (1 kW), funcionando oito horas por dia. 1 kW × 8 horas = 8 kWh por dia Em 30 dias: 8 kWh × 30 = 240 kWh por mês Nesse cenário, portanto, o aparelho teria um consumo teórico de 240 kWh contabilizados em um mês.

O professor ressaltou que o cálculo corresponde a uma estimativa e não corresponde necessariamente ao acréscimo final na fatura, que pode incluir outras variáveis. "De maneira simplificada, temos a quantidade de energia que consumimos; depois, aplicamos a tarifa correspondente e os acréscimos previstos, como a bandeira tarifária e os impostos.

É essa composição que resulta no valor final da conta paga pelo consumidor", explic.

Por que o calor aumenta o consumo?

Em dias mais quentes, o aparelho pode precisar trabalhar por mais tempo para atingir e manter a temperatura selecionada.

O professor explicou que, se um ambiente estiver a 28°C e o aparelho for configurado para 22°C, será necessário reduzir a temperatura em 6°C.

Com uma temperatura externa maior, a diferença aumenta e o equipamento precisa retirar mais calor do ambiente.

A unidade externa do equipamento também interfere, segundo o pesquisador.

O compressor precisa ficar em um local ventilado para realizar a troca de calor, mas protegido da incidência direta do sol.

Além disso, portas e janelas mal vedadas também permitem a entrada de ar quente, enquanto a incidência de sol pelas janelas aumenta o calor dentro do cômodo.

Temperatura e manutenção fazem diferença O professor ressaltou que não é necessário configurar o aparelho para temperaturas muito baixas, como 16°C, 17°C ou 18°C.

A recomendação é trabalhar com temperaturas entre 22°C e 24°C.

A Energisa também orienta utilizar o ar-condicionado em torno de 23°C como medida de economia.

A limpeza é outro fator que interfere na eficiência.

O acúmulo de sujeira nos filtros pode fazer o equipamento trabalhar mais para refrigerar o ambiente, e exige manutenção tanto da unidade interna quanto da externa.

A instalação elétrica também deve ser compatível com a potência do aparelho para evitar perdas nos condutores.

Uso consciente do ar-condicionado pode reduzir o gasto mensal.

Assessoria ⚡Veja dicas para economizar energia Mantenha portas e janelas fechadas: a entrada de ar quente dificulta a climatização e pode fazer o aparelho funcionar mais para manter a temperatura desejada.

Limpe os filtros: filtros sujos prejudicam a circulação do ar e podem reduzir a eficiência do equipamento.

Faça a manutenção periódica.

Use ventiladores de forma estratégica: eles podem melhorar a sensação térmica quando o ambiente não exige refrigeração pelo ar condicionado.

Desligue-os quando não houver ninguém no cômodo. ☀️ Proteja os ambientes do sol: cortinas e persianas nas janelas que recebem incidência direta ajudam a reduzir o aquecimento do ambiente.

Redobre os cuidados com a geladeira: evite abrir a porta repetidamente, mantenha as borrachas de colocação em boas condições e não coloque alimentos ainda quentes no equipamento.

Evite o uso prolongado do chuveiro elétrico: sempre que possível, utilize a posição “verão” e reduza o tempo do banho.

Desligue aparelhos que não estão sendo usados: TVs, computadores, carregadores e outros equipamentos consomem energia em modo de espera.

Quando possível, desligue-os ou retire-os da tomada.

Prefira a iluminação natural: abra cortinas e persianas durante o dia.

Quando precisar acender as luzes, dê preferência às lâmpadas de LED. ⚡ Evite usar vários equipamentos de alto consumo ao mesmo tempo: ar-condicionado, chuveiro elétrico, forno elétrico e ferro de passar podem aumentar o consumo.

Sempre que possível, organize o uso desses aparelhos.

Acompanhe o histórico de consumo: observar os meses anteriores ajuda a identificar aumentos e relacioná-los a mudanças nos hábitos de consumo. *Sob supervisão de Kessillen Lopes

  • Fonte: G1 Mato Grosso
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