Garis de Cuiabá cobram direitos, comida adequada e fim de assédio
- 10/08/2026 12:33
- Redação
Breve paralisação aconteceu na manhã desta segunda-feira (10) para cobrar melhorias nas condições de trabalho e o cumprimento de direitos trabalhistas.
Reprodução Garis que atuam na coleta de lixo em Cuiabá fizeram uma paralisação no início da manhã desta segunda-feira (10) para cobrar melhorias nas condições de trabalho e o cumprimento de direitos trabalhistas.
A categoria apresentou 13 reivindicações, que incluem pagamento de horas extras, regularização de FGTS e INSS, recomposição das equipes, alimentação adequada e apuração de denúncias de assédio moral e racial.
Os trabalhadores são funcionários da Locar Saneamento Ambiental, empresa terceirizada responsável pela coleta de resíduos na capital.
A mobilização ocorreu antes da saída dos caminhões da garagem.
Segundo a empresa e a prefeitura, o serviço foi retomado e as rotas previstas para esta segunda-feira foram realizadas normalmente.
Agora no g1 Jornada maior e cobrança por pagamentos Entre os principais pontos levantados pelos garis está a jornada de trabalho.
A categoria afirma que deveria cumprir 40 horas semanais, conforme a convenção coletiva, mas que atualmente trabalha até 44 horas, além de realizar horas extras.
Os trabalhadores também cobram valores referentes a horas extras que, segundo eles, foram identificadas em uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego realizada entre fevereiro e junho de 2025.
A reivindicação inclui o pagamento retroativo dos valores dos últimos cinco anos.
Outro pedido é pelo pagamento dos períodos em que os funcionários não teriam conseguido usufruir integralmente do intervalo para descanso durante a jornada.
A pauta também cobra a regularização dos depósitos do FGTS e dos recolhimentos ao INSS.
Os trabalhadores afirmam que existem atrasos e pedem que a empresa apresente comprovantes periódicos desses pagamentos.
A categoria ainda reivindica o reajuste salarial previsto em convenção coletiva, incluindo valores retroativos, além do pagamento das férias e do adicional de um terço dentro do prazo estabelecido pela legislação.
Menos trabalhadores nos caminhões Os garis também reclamam da redução no número de funcionários por equipe.
Segundo a pauta entregue pela categoria, alguns caminhões compactadores estariam circulando com dois garis, enquanto o contrato citado pelos trabalhadores prevê três profissionais.
Para eles, a redução aumenta a carga de trabalho e provoca sobrecarga durante a coleta.
A reivindicação é pela contratação de funcionários para recompor as equipes.
Trabalhadores reclamam de alimentos estragados A alimentação fornecida durante o expediente também virou alvo de reclamações.
Os garis relatam ter recebido, em algumas ocasiões, lanches que estariam mofados, estragados ou armazenados de maneira inadequada.
Como alternativa, pedem que a empresa deixe de fornecer os alimentos diretamente e passe a pagar um vale-lanche.
A categoria também quer que os valores referentes ao vale-alimentação e ao vale-lanche sejam depositados regularmente nos cartões dos funcionários entre os dias 28 e 30 de cada mês.
Pauta cita denúncias de assédio Entre as reivindicações estão ainda denúncias de assédio moral e racial atribuídas a fiscais da empresa.
Os trabalhadores relatam supostos xingamentos, ameaças, ofensas racistas e agressões físicas.
As acusações ainda precisam ser apuradas.
A categoria pede a criação de um canal específico para receber denúncias e solicita o afastamento de dois fiscais mencionados na pauta.
Os trabalhadores também cobram maior fiscalização da Prefeitura de Cuiabá sobre o contrato com a empresa responsável pela coleta.
Entre as sugestões estão acompanhamento presencial das atividades, monitoramento por GPS e verificação da documentação trabalhista antes da liberação dos pagamentos.
O que dizem a prefeitura e a empresa A Prefeitura de Cuiabá informou que a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb) recebeu a lista de reivindicações e notificou a Locar para que apresente documentos e informações sobre o cumprimento das obrigações previstas no contrato.
Segundo a prefeitura, questões trabalhistas são de responsabilidade da empresa em relação aos funcionários, enquanto o município deve fiscalizar a execução do serviço contratado.
Caso sejam identificadas irregularidades no contrato, medidas administrativas poderão ser adotadas.
A Locar informou que todos os veículos previstos para a operação desta segunda-feira estavam nas ruas e que a coleta ocorreu normalmente.
A empresa classificou o movimento como uma paralisação momentânea ocorrida no início da manhã.
Segundo a Locar, dois advogados estiveram na garagem antes da saída das equipes e apresentaram reivindicações aos trabalhadores.
Ainda conforme a empresa, os advogados não seriam representantes do sindicato oficialmente constituído da categoria e nenhuma pauta havia sido apresentada formalmente à Locar antes da mobilização.
A empresa afirmou que aguarda o recebimento oficial das reivindicações para analisar os pedidos e declarou que mantém diálogo com os funcionários, além de cumprir as obrigações trabalhistas e legais.