PF aponta que fundos foram criados antes do acordo de R$ 308 milhões entre MT e a Oi; entenda

PF aponta que fundos foram criados antes do acordo de R$ 308 milhões entre MT e a Oi; entenda

  • 06/08/2026 14:03
  • Redação

PF investiga Mauro Mendes e Fábio Garcia por suposto desvio de R$ 308 milhões Cerca de 48 dias antes de o Governo de Mato Grosso assinar o acordo que resultou no pagamento de R$ 308 milhões à empresa de telefonia Oi e aos cessionários dos créditos, dois fundos de investimento que mais tarde receberiam os recursos já haviam sido constituídos, conforme a investigação.

A sequência é apontada pela Polícia Federal como um dos principais indícios de que a estrutura financeira utilizada para movimentar o dinheiro começou a ser preparada antes mesmo da formalização do acordo.

Nesta quinta-feira (6), o ex-governador Mauro Mendes (União) foi o principal alvo da Polícia Federal, que cumpriu 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará.

Entre os alvos também estão o deputado federal Fábio Garcia (União), indicado a vice na chapa para reeleição do governador Otaviano Pivetta, o desembargador Ricardo Almeida e o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda.

Segundo a decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a operação desta quinta, a investigação concluiu que os fundos Royal Capital FIDC e Lotte Word FIDC foram criados em 22 de fevereiro de 2024.

O acordo entre o Estado e a Oi foi assinado apenas em 10 de abril daquele ano.

Para a PF, essa antecedência é um dos elementos que reforçam a hipótese de que já havia expectativa sobre o desfecho das negociações. "Em 22/02/2024, ou seja, quarenta e oito dias antes da assinatura do Termo de Autocomposição (10/04/2024), foi estruturada uma camada de fundos de investimento, que se conectaria a outros veículos de mesma natureza, com o objetivo promover a distribuição dos valores, sob múltiplos véus de opacidade, entre todos os envolvidos na operação financeira", diz trecho da decisão.

A decisão afirma que os dois fundos foram constituídos antes da assinatura do Termo de Autocomposição e que a criação dessas estruturas envolveu custos de aproximadamente R$ 90 mil e R$ 100 mil.

Segundo a PF, esse investimento antecipado pode indicar que seus idealizadores tinham informações privilegiadas sobre a provável conclusão do acordo.

LEIA MAIS: O ACORDO:

o acordo de R$ 308 milhões entre MT e a Oi que virou alvo da Polícia Federal QUEM É MAURO MENDES: ex-governador é o principal alvo investigado por suspeita de desvio de R$ 308 milhões Após a assinatura do acordo, em 10 de abril de 2024, o pagamento de R$ 308,1 milhões foi destinado inicialmente ao escritório Ricardo Almeida Advogados Associados, que representava a Oi.

Duas semanas depois, o escritório comunicou que os valores deveriam ser pagos aos fundos Royal Capital FIDC e Lotte Word FIDC, cada um com 50% dos recursos.

A PF sustenta ainda que essa foi apenas a primeira etapa de uma sequência de transferências entre fundos de investimento, descrita pela investigação como uma estrutura criada para dificultar o rastreamento do dinheiro e ocultar sua destinação final.

A investigação apura se essa estrutura foi utilizada para desviar recursos públicos e lavar dinheiro, hipótese negada pelos investigados, segundo a polícia.

De acordo com os investigadores, os fatos podem configurar crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

O que dizem os alvos Da esquerda à direita: Mauro Mendes, Fábio Garcia, Ricardo Almeida e Ulisses Rabaneda Reprodução Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) informou que "confia nas investigações da Polícia Federal e irá contribuir com tudo que for requerido.

Aguarda com naturalidade o desdobramento da investigação, pois acredita que o caso será totalmente esclarecido".

O g1 entrou em contato com a assessoria de Mauro Mendes e Fábio Garcia, mas não obteve retorno até a publicação.

Em nota, Ricardo Almeida disse que a apuração está relacionada com a atuação exercida quando ainda advogava e que não foi alvo de busca e apreensão, mas sim de retenção de passaporte. "No caso, atuei de forma técnica, regular e dentro das prerrogativas asseguradas à advocacia.

Todo o trabalho foi realizado com observância da legislação, dos procedimentos aplicáveis e dos deveres profissionais.

Refirmo a legalidade de todo o processo relacionado ao acordo firmado", disse.

Em nota, a defesa de Rabaneda afirmou que os fatos apurados decorrem exclusivamente da atuação como advogado, em período anterior ao ingresso no CNJ. "Na ocasião, ele foi contratado para prestar serviços jurídicos nas tratativas que resultaram em acordo envolvendo crédito da companhia Oi S.A. perante o Estado de Mato Grosso, com atuação limitada ao exercício regular da advocacia", disse.

Polícia Federal cumpre mandados na Operação Heritage Renato Silva/TVCA

  • Fonte: G1 Mato Grosso
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@nortaonoticias.com.br.

Compartilhar: