Ex-governador, deputado federal e desembargador são alvos da PF que apura desvio de R$ 308 milhões em acordo entre MT e empresa de telefonia

Ex-governador, deputado federal e desembargador são alvos da PF que apura desvio de R$ 308 milhões em acordo entre MT e empresa de telefonia

  • 06/08/2026 07:58
  • Redação

Ex-governador Mauro Mendes e deputado Fábio Garcia são alvos de operação da PF que apura desvio de R$ 308 milhões em acordo entre MT e empresa de telefonia O ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União) é o principal alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (6), que investiga um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões em um acordo firmado entre o governo do estado e uma empresa de telefonia.

Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) informou que "confia nas investigações da Polícia Federal e irá contribuir com tudo que for requerido.

Aguarda com naturalidade o desdobramento da investigação, pois acredita que o caso será totalmente esclarecido".

Ao todo, são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará.

Entre os alvos também estão o deputado federal Fábio Garcia (União), indicado a vice na chapa para reeleição do governador Otaviano Pivetta, o desembargador Ricardo Almeida, secretários e procurador do estado.

Até a última atualização desta reportagem os dois últimos nomes não foram divulgados.

O g1 entrou em contato com a assessoria de Mauro Mendes e Fábio Garcia, mas não obteve retorno até a publicação.

A reportagem tenta localizar a defesa do desembargador.

Já a Justiça de Mato Grosso informou que não chegou nada oficial Tribunal até o momento.

As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também autorizou o bloqueio e a indisponibilidade de bens de até R$ 316 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

LEIA MAIS: O ACORDO:

o acordo de R$ 308 milhões entre MT e a Oi que virou alvo da Polícia Federal QUEM É MAURO MENDES: ex-governador é o principal alvo investigado por suspeita de desvio de R$ 308 milhões Da esquerda à direita: Mauro Mendes, Fábio Garcia e Ricardo Almeida Reprodução As investigações também envolvem suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso de informação privilegiada.

Segundo as investigações, o caso teve início a partir da análise de um acordo firmado entre o governo e uma empresa de telefonia para a restituição de valores relacionados a uma disputa tributária.

Os investigadores apontam indícios de que a operação financeira teria sido usada para desviar recursos públicos por meio de uma estrutura composta por fundos de investimento em cascata e empresas interpostas.

O objetivo, conforme a apuração, seria ocultar a origem, a movimentação e o destino do dinheiro.

De acordo com os investigadores, os fatos podem configurar, em tese, crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

A apuração continua e outras infrações penais poderão ser identificadas no decorrer das investigações.

O acordo Polícia Federal cumpre mandados na Operação Heritage Renato Silva/TVCA Em agosto do ano passado, a Justiça de Mato Grosso validou um acordo firmado entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) e a operadora de telefonia Oi S.A. no valor de R$ 308 milhões relacionados a uma cobrança indevida de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O acordo entre a Oi e o governo foi firmado em abril de 2024, encerrando uma disputa judicial que se arrastava desde 2009.

Na época, a dívida do estado com a empresa que prestava serviços era de R$ 690 milhões.

No entanto, o valor foi renegociado, resultando no pagamento de R$ 308 milhões.

Em maio do mesmo ano, o Ministério Público Estadual (MPE) investigou o pagamento e buscou esclarecer se o montante beneficiou pessoas ligadas a Mauro Mendes.

Conforme a nova decisão, a controvérsia residia em dois pontos centrais: a regularidade da cessão de crédito frente às normas da recuperação judicial e a apuração das graves denúncias de irregularidades na destinação de recursos públicos.

Acordo entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) e a operadora de telefonia Oi S.A foi firmado há cerca de dois anos Rodolfo Perdigão/Secom

  • Fonte: G1 Mato Grosso
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