Quem é Mauro Mendes: ex-governador de MT e investigado pela Polícia Federal por suspeita de desvio de R$ 308 milhões
- 06/08/2026 09:45
- Redação
Ex-governador Mauro Mendes e deputado Fábio Garcia são alvos de operação da PF que apura desvio de R$ 308 milhões em acordo entre MT e empresa de telefonia O ex-governador Mauro Mendes (União), principal alvo da Operação Heritage deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6) que apura o desvio de R$ 308 milhões, é empresário, engenheiro eletricista e um dos principais nomes da política de Mato Grosso.
Ele também disputa uma vaga no Senado nas eleições deste ano.
Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) informou que "confia nas investigações da Polícia Federal e irá contribuir com tudo que for requerido.
Aguarda com naturalidade o desdobramento da investigação, pois acredita que o caso será totalmente esclarecido".
Mauro Mendes não se manifestou sobre o caso até a última atualização desta reportagem.
Natural de Anápolis (GO), Mendes se mudou para Cuiabá ainda na adolescência, construiu carreira no setor industrial, foi prefeito da capital e governou o estado entre 2019 e 2026.
Em março deste ano, renunciou ao cargo para disputar o Senado.
Após se formar em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Mauro Mendes fundou a Bimetal, empresa especializada na fabricação de torres para telecomunicações.
A atuação no setor empresarial o levou à presidência da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e do Sistema Sesi/Senai entre 2007 e 2010.
No período, também ocupou a vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Atualmente, é sócio do Grupo Bipar, que reúne empresas nas áreas de metalurgia, energia, engenharia e investimentos.
Vida política A trajetória política do ex-governador começou ainda na universidade, quando participou do movimento estudantil e integrou a direção do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMT.
Anos depois, disputou as eleições para a Prefeitura de Cuiabá, em 2008, e para o Governo de Mato Grosso, em 2010, mas foi derrotado nas duas ocasiões.
A primeira vitória nas urnas veio em 2012, quando foi eleito prefeito da capital no segundo turno.
À frente da prefeitura, executou obras nas áreas de saúde, educação, mobilidade e infraestrutura.
Entre as entregas estão unidades de saúde, escolas, creches, parques públicos e programas de pavimentação.
Ao fim do mandato, pesquisas apontavam alto índice de aprovação da gestão.
Em 2018, após deixar o PSB e ingressar no então Democratas — partido que mais tarde passou a integrar o União Brasil — Mauro Mendes foi eleito governador de Mato Grosso ainda no primeiro turno, com 58,7% dos votos válidos.
Ele assumiu o governo em janeiro de 2019 afirmando que o estado enfrentava dificuldades financeiras.
Nos primeiros meses da gestão, promoveu uma reforma administrativa, reduziu o número de secretarias, extinguiu cargos, renegociou contratos e buscou reorganizar as contas públicas.
Nas eleições de 2022, Mauro Mendes foi reeleito governador com 68,45% dos votos, ampliando a votação obtida no primeiro mandato.
Mauro Mendes é casado desde 1995 com a economista e empresária Virgínia Mendes, que disputa uma vaga na Câmara Federal.
O casal tem três filhos.
Mauro Mendes Secom/MT Operação Heritage A Operação Heritage, que investiga Mauro Mendes, foi realizada nesta quinta-feira (6) para apurar um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões em recursos públicos ligados a um acordo entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia.
A investigação apura possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro, uso de informação privilegiada e organização criminosa.
Ao todo, são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, o recolhimento de passaportes e outras medidas cautelares.
Segundo as investigações, o dinheiro teria sido desviado por meio de fundos de investimento e empresas usadas para ocultar a origem e a movimentação dos recursos