Justiça manda afastar policial civil de MT condenado por estuprar colega em viagem a trabalho

Justiça manda afastar policial civil de MT condenado por estuprar colega em viagem a trabalho

  • 16/06/2026 17:07
  • Redação

A Justiça de Mato Grosso determinou o afastamento do policial civil Jeovanio Vidal Gribiel após ser condenado a oito anos de prisão por estupro e vulnerável contra uma colega de trabalho em 2022.

Reprodução A Justiça de Mato Grosso determinou o afastamento do policial civil Jeovanio Vidal Gribiel após ser condenado a oito anos de prisão por estupro e vulnerável contra uma colega de trabalho em 2022.

A decisão da juíza Henriqueta Fernanda Lima foi assinada na ultima quinta feira (11).

Ao g1, a Polícia Civil afirmou que "já adotou todas as providências cabíveis para o cumprimento da decisão judicial que determinou a aplicação de medidas cautelares decretadas".

O g1 tenta localizar a defesa de Jeovanio.

O crime ocorreu em novembro de 2022. em Goiânia, durante uma viagem de trabalho.

Segundo o processo, o policial teria colocado uma substância na bebida da colega e praticado os abusos enquanto ela estava sob efeito da droga e sem condições de reagir.

Agora no g1 Em depoimento, a vítima relatou que chegou a despertar durante os abusos e pediu mais de uma vez para que o policial parasse.

Ainda assim, segundo o relato, ele teria continuado com as agressões.

Além da condenação, a Justiça determinou uma série de medidas para proteger a vítima e evitar qualquer contato com o policial.

As decisões foram estabelecidas após a análise do caso e passam a valer imediatamente.

Entre as medidas determinadas estão: afastamento imediato do policial de suas funções, especialmente das atividades operacionais; proibição de qualquer contato com a vítima, de forma direta ou indireta, inclusive por meio de terceiros; proibição de se aproximar da vítima, devendo manter distância mínima de 500 metros da residência, local de trabalho e demais locais frequentados por ela; impedimento de convivência funcional entre os dois, com a realocação ou afastamento do policial de qualquer ambiente que possibilite contato, ainda que indireto; suspensão do porte de arma e recolhimento imediato da arma funcional; proibição de acessar dados pessoais, funcionais ou informações da vítima em sistemas institucionais e bancos de dados policiais; multa de R$ 3 mil por cada descumprimento das medidas, sem prejuízo da decretação de prisão preventiva; custeio de acompanhamento psicológico especializado para a vítima, destinado ao tratamento das sequelas emocionais causadas pelo caso.

Na decisão, a Justiça destacou ainda a necessidade de garantir a segurança da vítima e impedir qualquer situação que possa resultar em intimidação, constrangimento ou revitimização durante o cumprimento das medidas.

Ficha criminal O policial civil também é investigado pela morte de João Antônio Pinto, de 87 anos, ocorrida em 23 de fevereiro de 2024, na região do Contorno Leste, em Cuiabá.

O idoso morreu durante uma abordagem policial que envolveu agentes da corporação.

João era o suposto dono de uma terra que havia sido ocupada por invasores em 2023.

Em 2024, o delegado responsável entendeu que houve legítima defesa, não indiciou o policial investigado.

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), no entanto, discordou da conclusão e pediu a continuidade das investigações.

Segundo o órgão, ainda havia diligências pendentes consideradas importantes para o esclarecimento dos fatos.

O processo tramita em segredo de Justiça desde janeiro de 2025.

Como pedir ajuda?

Interface do aplicativo 'SOS Mulher MT' Reprodução O aplicativo 'SOS Mulher MT' é uma das alternativas criadas para ajudar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso.

O aplicativo conta com um botão do pânico, por meio dele a vítima pode fazer um pedido de socorro quando o agressor descumprir a medida protetiva.

O Botão do Pânico virtual está disponível, por enquanto, nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.

Nos outros municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para as outras funções, como direcionamento à medida protetiva online, telefones de emergência, endereços das Delegacias da Mulher, Plantão 24h, denúncias sobre violência doméstica e também acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências.

O que é a Lei Maria da Penha A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 com o objetivo de criar mecanismos para prevenir e impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Segundo a Lei, a violência doméstica contra a mulher envolve qualquer ação baseada no gênero, ou seja, a mulher sofrer algum tipo de violência apenas pelo fato de ser mulher.

O Instituto Maria da Penha aponta que essa violência pode ser dos seguintes tipos: Violência física: qualquer ação que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher.

Exemplos: espancamentos, estrangulamento, cortes, sacudidas, entre outros; Violência psicológica: qualquer ação que cause dano emocional e diminuição de autoestima; prejudique e perturbe o desenvolvimento da mulher ou tente degradar e controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões.

Exemplos: ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, entre outros; Violência sexual: qualquer ação que obrigue a vítima a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada.

Exemplos: estupro, impedir uso de contraceptivos, forçar prostituição, entre outros; Violência patrimonial: qualquer ação que configure retenção ou destruição de objetos, instrumentos de trabalho, documentos, bens e valores da vítima.

Exemplos: controle do dinheiro, destruição de documentos, estelionato, deixar de pagar pensão alimentícia, entre outros; Violência moral: qualquer ação que configure calúnia, difamação e injúria.

Exemplos: acusar a mulher de traição, expor a vida íntima, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir, entre outros; O que é medida protetiva?

As medidas protetivas são ordens judiciais que buscam proteger pessoas que estejam em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade.

São dois tipos: as voltadas para o agressor, para impedir que ele se aproxime da vítima; e as voltadas para a vítima, para garantir a sua segurança e a proteção dos seus bens e da sua família.

Quem pode solicitar?

Qualquer mulher que esteja passando por uma situação de violência doméstica e familiar, independente do tipo de ameaça, lesão ou omissão.

Como solicitar medida protetiva?

A solicitação da medida protetiva pode ser feita em delegacias, Ministérios Públicos ou na Defensoria Pública.

A mulher não precisa estar acompanhada de um advogado para fazer o pedido.

  • Fonte: G1 Mato Grosso
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