Empresa contratada para obras em quilombo de MT é processada por manter trabalhadores em abrigo insalubre e com animais abandonados

Empresa contratada para obras em quilombo de MT é processada por manter trabalhadores em abrigo insalubre e com animais abandonados

  • 28/04/2026 13:47
  • Redação

Cozinha improvisada utilizada pelos funcionários Reprodução Uma empresa contratada para construir 56 casas no assentamento foi processada após cinco trabalhadores serem encontrados em condições análogas à escravidão no Quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, a 50 km de Cuiabá.

O g1 tenta localizar a defesa da empresa Gêneses Construções e Montagens Ltda.

No dia 26 de março, a 3ª Vara do Trabalho de Cuiabá concedeu uma liminar, a pedido do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT), para que a empresa se abstenha de manter trabalhadores em condições que violem as normas de proteção ao trabalho, incluindo situações de trabalho forçado ou análogo à escravidão, sob a pena de multa de R$ 25 mil.

Na decisão, a juíza do Trabalho Tatiana de Oliveira Pitombo destacou o risco de novos trabalhadores serem submetidos às mesmas condições, já que o contrato da obra segue em vigor.

Vídeos em alta no g1 No processo, o MPT também pede: R$ 200 mil por dano moral coletivo; R$ 50 mil de indenização por dano moral individual a cada trabalhador; R$ 89 mil em verbas rescisórias, já calculadas pela fiscalização.

Condições degradantes Abrigo onde trabalhadores estavam hospedados durante as obras Segundo o MPT, a denúncia foi feita em março.

No mesmo mês, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso realizou fiscalização e confirmou a ocorrência de trabalho degradante.

Os trabalhadores estavam alojados em um espaço improvisado, originalmente usado para armazenar materiais de construção.

O local tinha instalações elétricas irregulares, estrutura deteriorada, janelas sem vedação e exposição ao clima.

Além disso, o imóvel também abrigava animais abandonados.

A fiscalização encontrou ainda ausência de água potável, saneamento básico, local adequado para refeições e área de convivência.

O espaço de banho tinha mofo, não havia chuveiro e a água era fria, saindo de um cano.

Nos dormitórios, faltavam camas adequadas, roupas de cama e mobiliário básico.

A cozinha não tinha geladeira, e o fornecimento de alimentos havia sido interrompido por falta de pagamento ao fornecedor.

Parte dos alimentos consumidos pelos trabalhadores foi doada por moradores da região.

Para a magistrada, as condições de trabalho violaram normas básicas e atentaram contra a dignidade, saúde e segurança dos trabalhadores.

  • Fonte: G1 Mato Grosso
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@nortaonoticias.com.br.

Compartilhar: