Mineração cerca 93% das terras indígenas de MT e Sararé lidera alertas no país

Mineração cerca 93% das terras indígenas de MT e Sararé lidera alertas no país

  • 22/04/2026 14:58
  • Redação

Facção entra em garimpo ilegal, que não para de avançar sobre terra indígena em Mato Grosso A Terra Indígena Sararé se tornou o território com o maior número de alertas de garimpo ilegal no Brasil, com 1.814 registros, segundo monitoramento do Ibama.

O levantamento aponta ainda que 93% das terras indígenas mato-grossenses estão sob pressão da mineração.

Os dados foram divulgados pela Operação Amazônia Nativa (Opan), nesta quarta-feira (22).

Segundo a Opan, das 74 áreas registradas na base geográfica da Funai, 69 possuem processos minerários em seu entorno imediato, considerando um raio de até 10 quilômetros.

De acordo com o levantamento, o número de processos minerários em Mato Grosso saltou de 5.926, em 2018, para 13.627, em 2025, um crescimento de quase 130%.

Ao todo, esses processos abrangem cerca de 22.539.135,89 hectares.

Considerando que o estado possui aproximadamente 90.320.699 hectares (903.207 km²), a área já sob incidência minerária corresponde a 24,9% do território, uma extensão comparável à área do Reino Unido.

A maior concentração ocorre na fase de Autorização de Pesquisa, que representa 29% do total, com 3.918 processos distribuídos em aproximadamente 9.308.819,47 hectares.

Exploração na Sararé Em relação à Terra Indígena Sararé, o boletim destaca impactos ambientais significativos, como a contaminação de corpos d’água, entre eles o córrego Água Suja e o rio Sararé, com rejeitos de mineração, mercúrio e cianeto.

O documento aponta ainda a degradação dos cursos d’água, incluindo a alteração e remoção do leito original de trechos do córrego.

Além dos danos ambientais, o levantamento registra o aumento da violência na região, com a presença de facções criminosas e relatos de tiros, ameaças de morte e ataques a aldeias.

Segundo o boletim, o cenário expõe a comunidade a risco de danos irreparáveis, caracterizando uma violência estrutural e sistemática.

Cenários que podem ser comprovados pelas diversas operações realizadas na região, que por ser próxima da fronteira com a Bolívia, a área se tornou uma das rotas mais usadas para o tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil apartir de 2022, grupos criminosos se infiltraram na região e, em 2024, entraram no garimpo.

Pressão no entorno de Terras indígenas Terra Indígena Sararé, o território ocupa a quarta posição entre as TIs com maior número de requerimentos minerários próximos, somando 72 processos ativos.

O principal minério de interesse nessas solicitações é o ouro, presente em 58 processos, que, juntos, abrangem cerca de 143.383,9 hectares.

Em primeiro lugar está a Terra Indígena Vale do Guaporé, que concentra a maior área sob influência de processos minerários em seu entorno, com aproximadamente 237.061,77 hectares.

Na sequência aparece a Terra Indígena Escondido, com 195.355,32 hectares, seguida pela Terra Indígena Piripkura, de povos indígenas isolados, com 157.620,48 hectares.

Plano emergencial Em janeiro o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) cobraram a apresentação imediata de um plano de ação da União e de órgãos federais para combater o garimpo ilegal na Sararé.

Já no dia 25 de março, o Governo Federal iniciou uma megaoperação na Sararé para retirar garimpeiros que têm promovido a exploração ilegal de ouro dentro do território.

Até agora, a ação causou um prejuízo de R$ 42 milhões ao garimpo.

Segundo o MPF, já havia passado três anos desde a decisão judicial proferida em janeiro de 2022, que determinou que a União e os demais órgãos federais atuassem de forma efetiva no enfrentamento do garimpo ilegal na região.

Histórico de devastação A Sararé liderou, em 2024, o ranking das terras indígenas mais desmatadas da Amazônia Legal.

Entre 2021 e 2024, o desmatamento associado à área cresceu 729%.

Os dados constam do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, divulgado em novembro de 2025, que analisou nove estados da região.

De acordo com o levantamento, o principal fator associado à devastação é a expansão do garimpo ilegal.

O relatório identificou a presença de garimpos ativos dentro da TI Sararé, com o uso de escavadeiras hidráulicas, balsas e bombas de sucção.

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  • Fonte: G1 Mato Grosso
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