Empréstimo consignado: Justiça manda banco devolver valores a indígena após cobrança de R$ 7 mil em juros

Empréstimo consignado: Justiça manda banco devolver valores a indígena após cobrança de R$ 7 mil em juros

  • 23/01/2026 00:00
  • Redação

Justiça manda banco indenizar indígena após cobrança de R$ 7 mil em juros em MT Prefeitura de Rondonópolis A Justiça mandou o Banco BMG devolver os valores de um empréstimo consignado a uma indígena aposentada de 85 anos após cobrar mais de R$ 7 mil em juros em Rondonópolis (MT).

A Defensoria Pública fez o pedido na quinta-feira (15) para que a Justiça informe o valor final a ser devolvido para a vítima.

O g1 entrou em contato com o banco, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Educadores financeiros ouvidos pelo g1 alertam para os cuidados ao se tomar crédito e para as taxas de juros cobradas, que podem se tornar uma bola de neve.

Em 2022, a indígena da etnia Boe Bororo, que não é alfabetizada, pegou empréstimo de R$ 3,2 mil, com juros mensais de quase 20%.

Na época, a taxa básica de juros, a Selic, estava em 13,75% ao ano, sendo a principal referência para o custo do crédito, além de ser um instrumento do Banco Central para controlar a inflação.

Isso mostra que a taxa de juros cobrada pelo banco estava acima da Selic e, também, quase dez vezes maior que a taxa média mensal de 1,98% para este tipo de consignado naquela ocasião.

Taxa Selic:

o que é a taxa básica de juros da economia brasileira Diante disso, a indígena pediu ajuda à Defensoria, que entrou com ação.

A segunda instância do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em julho de 2025, considerou abusiva a taxa de juros aplicada pelo empréstimo consignado e condenou o banco a devolver os valores cobrados.

Pouco depois, a Quinta Câmara de Direito Privado do TJMT negou o recurso do banco, mantendo a decisão anterior.

Juros abusivos O empréstimo tomado pela indígena com o banco resultaria em uma dívida total de R$ 10.415,85, parcelada em 15 vezes de R$ 694,39.

Deste total, R$ 7.143,46 era apenas para o pagamento de juros, de acordo com a Defensoria Pública.

Diante disso, os juros do banco seriam quase 20% ao mês, sendo 19,52%, o que resultou em uma taxa anual de 776%.

Porém, naquela época, os juros médios de um consignado giravam em torno de 1,98% ao mês.

Por isso, o valor correto de juros a ser cobrado, segundo a Defensoria Pública, deveria ser de R$ 541,96, com 15 parcelas de R$ 254,29.

Educação Financeira:

o que é a taxa Selic Alertas Para o especialista em educação financeira Eduardo Reis do Ágora Investimentos, o ideal em casos como este é procurar estar acompanhado de alguém que

de conceitos básico de macroeconomia. "Pensando em um empréstimo, as empresas que oferecem crédito negociam com juros maiores do que a Selic e cobram obviamente por esse serviço tendo seus lucros baseados na diferença paga para captar dinheiro e a taxa cobrada ao emprestar", explicou.

Uma dica, segundo Reis, é consultar o site do Banco Central na opção taxa de juros. "Lá é possível encontrar a média das taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras em cada modalidade de crédito.

Nesse caso, crédito consignado.

Assim é possível ter uma referência comparando e até escolhendo qual instituição pode me atender de acordo com minha necessidade e conveniência", afirmou.

O educador financeiro Leandro Benincá vai na mesma linha. "O que se pode fazer é desconfiar do que o banco está te oferecendo e comparar com outros.

O banco é uma empresa como qualquer outra.

Banco não é instituição sagrada e têm concorrentes, podemos abrir contas em diferentes lugares.

Se uma está de oferecendo juros abusivos, outra instituição pode te oferecer algo diferente e isso pode te proteger", disse.

Outra saída é pesquisar com auxílio de uma inteligência artificial. "A IA, embora não seja perfeita, pode ser um grande aliada caso você não saiba para quem perguntar.

A fonte oficial pode ser difiícil de achar e o site do Banco Central pode não ser o mais intuitivo do mundo, mas a IA pode ajudar nisso, nessa pesquisa", finaliza.

  • Fonte: G1 Mato Grosso
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